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Fotografia: A voz de Robert Capa

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Fotografia: A voz de Robert Capa

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O único registo conhecido da voz de Robert Capa esteve perdido durante anos. A gravação acaba de ser publicada pelo Centro Internacional de Fotografia para assinalar o centenário do nascimento de uma das maiores referências do jornalismo de guerra.

Nascido em Budapeste em 1913, Capa morreu novo, aos quarenta anos.

Ao longo da vida, viajou pelo mundo inteiro, fez a cobertura de cinco conflitos, da guerra civil de Espanha, passando pela segunda guerra mundial até à primeira guerra da Indochina.

“Ele tinha tudo para ser o maior e tornou-se grande não só pela fotografia mas pela personalidade cativante. A imagem que temos dele nasceu aqui em Budapeste. Ele era um aventureiro, só fazia o que queria. Nem era capaz de tirar fotografias. Esteve no atelier do fotógrafo József Pécsi mas era só para ver as raparigas”, contou Károly Kincses, investigador da Casa da Fotografia, o maior centro de investigação húngaro sobre o trabalho de Capa.

O centro Internacional de Fotografia sedeado em Nova Iorque possui um vasto espólio da obra de Robert Capa.

Além da publicação da gravação inédita, a instituição organiza exposições em vários países, França, Itália, Japão, México e Coreia, cada uma revela um aspeto particular da obra e do percurso do fotográfo.

Na Hungria, o centenário é assinalado com uma mostra no Museu Nacional, em Budapeste.

A exposição revela as várias facetas da personalidade de Robert Capa: o fotojornalista corajoso, o imigrante húngaro movido pela aventura, o jogador que não tinha medo de apostar e arriscar.

“O público que nos visita também arrisca. Sabe que pode contemplar belas fotografias num quadro bonito mas pode também ver instalações interessantes com pequenos detalhes. Tudo isso permite-lhe compor o seu próprio Capa e a sua própria ideia de fotojornalismo”, explicou Éva Fisli, comissária da exposição no Museu Nacional Húngaro.

Capa foi o primeiro fotógrafo a participar no desembarque dos aliados na Normandia em 1944.

Os 100 anos do nascimento do fotojornalista húngaro voltam a ser celebrados com a abertura em Budapeste do Centro Fotográfico Contemporâneo Robert Capa.

“O nosso objetivo principal é criar uma verdadeira instituição, com exposições, programas educativos e de formação para profissionais para ocupar um lugar no mapa cultural europeu”, afirmou Orsolya Kőrösi, a diretora da instituição.

Depois da guerra, Capa fundou em Paris, com Henri Cartier Bresson entre outros, a agência Magnum, a primeira cooperativa de fotógrafos free-lancer. Morreu em Maio 1954, ao pisar uma mina na guerra da Indochina.

Capa dizia «se as fotos não são suficientemente boas, é porque não estamos suficientemente perto».