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Tesouro de arte chinesa em Taipé é também um símbolo político

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Tesouro de arte chinesa em Taipé é também um símbolo político

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O Museu do Palácio Nacional, em Taipé, é mais do que uma atração turística para quem visita a capital de Taiwan, ilha também conhecida como Formosa pelos portugueses, que foram os primeiros europeus a lá chegar no final do século XVI.

Contém uma das maiores coleções de arte chinesa do mundo e é sinónimo da difícil relação com a China, explica a correspondente da euronews, Margherita Sforza: “Para os taiwaneses este é o principal símbolo da independência face à China, mas para os chineses o museu guarda um tesouro roubado. Isto porque, quando fugiu da China continental e dos comunistas de Mao, em 1948, o general Chiang Kai-shek trouxe para Taiwan mais de três mil obras de arte chinesa”.

Atualmente, o acervo é já de 700 mil peças que cobrem oito mil anos de história. É visitado por cada vez mais turistas chineses, à medida que as relações entre os dois países melhoram.

Contudo, a China continua a clamar soberania sobre Taiwan, cuja independência é só reconhecida por 23 países.

A guia Emma Chen explica que “a partir do século XII, com a dinastia Song, criou-se a tradição de que cada novo governo tem de controlar a coleção imperial para provar que é um governo legítimo. A coleção é um símbolo de legitimidade”.

A peça mais popular é uma couve esculpida em jade, com dois grilos camuflados entre as folhas. Foi um presente para a esposa de um imperador no final século XIX e simboliza a pureza e a bênção para os filhos.

O jade é um material muito importante na cultura chinesa, explica Emma Chen, realçando que “é o material mais puro do mundo. Para nos comunicarmos com a divindade usamos o jade. Além disso, os confucionistas fazem comparações entre a beleza de jade e uma personalidade virtuosa”.

O museu tem mais de 25 mil peças de cerâmica, algumas raríssimas. Em todo o mundo existem menos de uma centena similar ao conjunto aqui exposto datado do século XI, cujo esmalte azul-esverdeado é de uma lisura tal que as marcas do tempo são invisíveis a olho nu. A cor e o estilo depurado, minimalista, revelam os valores dominantes.

“Naquela época considerava-se a simplicidade como o máximo do luxo. Pensaram sobre qual seria a cor mais bonita do mundo e chegaram à conclusão que seria o azul celestial, a cor do céu. No século XI conseguiram ser bem sucedidos e esta linda cor permanece inalterada ao fim de 900 anos, dando-nos uma sensação de tranquilidade”, explica a guia.

Entre os bronzes, destaque para um buda extremamente bem preservado e que foi esculpido 477 anos depois do nascimento de Cristo, como atesta a data inscrita na parte detrás. Foi doado ao museu por um ator.

Estas preciosidades atraem quatro milhões de turistas por ano, vindos sobretudo da Ásia, mas também de outros continentes.

Contudo, com receio de que algumas peças possam ficar retidas no estrangeiro, devido a sistemas jurídicos conflituosos, raramente são feitos empréstimos. Mas dois museus japoneses terão essa sorte já em 2014.