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Raptos, luxo e tráfico de crianças do Mediterrâneo para o Norte da Europa

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Raptos, luxo e tráfico de crianças do Mediterrâneo para o Norte da Europa

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A polícia italiana prendeu quatros suspeitos de pertença a uma rede internacional que raptou crianças do Norte de África e as levou para a Noruega. Entre os detidos em Palermo está Larysa Moskalenko, uma ucraniana sob quem também recaem suspeitas de fornecer barcos para as travessias de ilegais do Mediterrâneo.

Moskalenko – proprietária de uma empresa de aluguer de barcos de luxo na Sicília – conquistou uma medalha de bronze na vela nos Jogos Olímpicos de Seul, em 1988. Três italianos – Antonino Barazza, Sebastiano Calabrese e Luigi Cannistraro foram também presos em Palermo.

Dois noruegueses e um sueco estão detidos na Tunísia no quadro da mesma investigação. A polícia transalpina afirma que o grupo criminoso, que inclui ex-militares, dedicava-se a raptar crianças envolvidas em batalhas judiciais pela custódia em países do Norte de África. O primeiro rapto terá acontecido na Tunísia, em outubro de 2012, uma criança foi levada de barco para a Sicília e transferida para a Noruega. Outros raptos estariam a ser preparados em países como o Chipre, Egito, Líbano e Ucrânia.

A polícia afirma que no centro da organização está a sociedade ‘ABP World Group’ que pertence ao norueguês Martin Waage, um antigo soldado que recrutou veteranos das forças especiais de diferentes países para executar os sequestros.

O ‘modus operandi’ do grupo consistia em contactar com o progenitor que tinha perdido a guarda do filho e organizar o sequestro em troca de muitos milhares de euros.

A investigação nasceu de escutas telefónicas no quadro da investigação a um incêndio num hotel de Cinsi, na Sicília, em finais de maio de 2012. Nas escutas, Moskalenko, que era namorada do proprietário do hotel, fala a uma amiga do rapto de uma criança. A ucraniana, para além de providenciar o transporte marítimo, também terá tentado obter armas graças a um ex-coronel do KGB, fornecia os soporíferos para os sequestrados e tratava dos álibis dos sequestradores.