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Comer, dormir e socializar nas Filipinas

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Comer, dormir e socializar nas Filipinas

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O arquipélago das Filipinas, no sudeste do oceano Pacífico, é conhecido pelas deslumbrantes praias de águas cristalinas. Mas há muito mais para descobrir neste país que congrega mais de 7 mil ilhas e que ficou para a história da Humanidade como o local onde morreu o português Fernão de Magalhães, o primeiro navegador a cumprir uma viagem de circum-navegação à volta do Mundo. Nesta edição de “Life”, nas Filipinas, deixamos o fato de banho de lado e partimos à descoberta de alguns das iguarias e segredos da gastronomia local. É uma viagem por uma das mais requintadas ementas do continente asiático.

Começamos pelo Centro de Estudos de Cozinha Asiática, uma escola de cozinha inaugurada há 13 anos pelo “chef” Gene Gonzalez. Presenciamos parte de uma aula ministrada pelo próprio fundador do centro, que é, claro, o foco de todos os olhares na sala. À euronews, Gonzalez explica que “a gastronomia filipina revela os sabores das várias ilhas”. “São mais de 7 mil que compõem o arquipélago e existem pratos diferentes em cada uma delas. A nossa cozinha é muito natural”, salienta o “chef”, acrescentando que um dos objetivos da cozinha filipina é “apresentar os ingredientes no seu estado mais puro.”

Vindos de muito longe para Manila, os alunos que ouvem atentamente os ensinamentos de Gene Gonzalez perseguem também eles o sonho de um dia poderem ser embaixadores da gastronomia das Filipinas. Desde a abertura da escola, mais de 1500 pessoas já se formaram. Ser um “chef” tornou-se, aliás, numa das profissões mais populares no país. A estudante Jolly Espina não o assume abertamente, mas deixa-nos perceber a importância que é dada à comida nas Filipinas.

“Eu cresci numa família grande que adora cozinhar. Todos têm as suas especialidades gastronómicas e, quando era criança, eles gostavam que eu os visse a cozinhar sempre que havia algum tipo de celebração”, recorda Jolly Espina, reforçando que para as famílias “a cozinha é muito importante.”

Outro estudante, Jr. Royol, realça que o Centro de Estudos de Cozinha Asiática “ensina muita coisa” e dá como exemplo “técnicas simples que não se aprenderiam apenas a cozinhar em casa”. “Mas, mais importante, na minha opinião, é que nos explicam porque é que se fazem certas combinações e sabores”, destaca.

Na ementa do dia, no Centro de Estudos, está o peixe mais popular de Lapu Lapu, o arquipélago cujo nome provém do nativo que se tornou herói nacional pela forte resistência à colonização espanhola e por ter sido alegadamente o responsável pela morte de Fernão de Magalhães. “Este é um ‘coral snapper’, que nós conhecemos como Lapu Lapu”, diz, entretanto, Gene Gonzalez aos seus alunos, enquanto segura num peixe avermelhado da família das douradas e prossegue com a aula: “O que vocês vão querer fazer é recheá-lo com temperos aromáticos como o gengibre e a erva-príncipe. Juntamos algum tomate e cebola. Misturamos tudo e preenchemos o interior do peixe com essa mistura aromática. Enrolamos o peixe numa folha de bananeira, o que também lhe dará um aroma mais herbal, e já está: está pronto para ser grelhado”, diz o “Chef”, concretizando a aula de preparação do Lapu Lapu.

A gastronomia das Filipinas reflete uma fusão única de culturas dispersas. Tem inspirações tão distintas como Espanha, Malásia, China ou até das Américas. Todas contribuem para uma colorida e rica ementa com séculos de evolução. Um dos segredos reside nos chamados “mercados húmidos”, que retira o nome ao facto de o chão estar sempre molhado devido à constante lavagem dos produtos frescos que neles se adquirem.

Gonzalo Misa é um filipino igual a tantos outros. Quer isto dizer que adora comer. “Sim, adoramos comer, mas primeiro deixe-me dizer que nós comemos cerca de cinco vezes por dia. Para nós, filipinos, comer é um ato social. Muitos de nós não gostamos de comer sozinhos”, explica-nos.

Para irmos ao cerne da questão, como quem diz ao coração da gastronomia filipina, viajámos, entretanto, até à província de Pampanga, 90 quilómetros a norte de Manila. Aqui encontramos aquela que é conhecida como a capital gastronómica do país. E aqui também que descobrimos a casa de um dos mais famosos “Chefs” filipinos. Claude Tayag não é apenas um mestre na cozinha, ele é também um artista e escritor. Na “Bale Dutung” – que significa “casa de madeira” – de Claude Tayag são-nos servidas algumas iguarias típicas como o Sisig, um apertitivo feito de bochechas e coirato de porco.

Mas o que queríamos descobrir, antes de tudo, é o que distingue a comida de Pampang da do resto das Filipinas? “De um modo geral, poderia dizer que é o próprio paladar das pessoas daqui. Os locais estão habituados a comida forte. Se uma receita pede, por exemplo, uma colher de sopa de manteiga, eles metem duas”, esclarece-nos Claude Tayag, acrescentando: “Estamos sempre a ver como é que podemos melhorar uma receita”. “O segredo da gastronomia filipina está no equilíbrio do sabor entre o doce, o ácido, o salgado e o amargo. Todos combinados”, concretiza Tayag.

Dos festins bem carregados desta edição para outro tipo de paraíso: no próximo episódio de “Life”, continuamos pelas Filipinas e vamos até à ilha de Palawan, situada entre o Mar de Sulu e o Mar do Sul da China. Palawan é considerada uma das ilhas mais bonitas da região. Vamos descobrir os tesouros que esconde este recanto filipino e adiantamos, desde já, que entre eles está um místico rio subterrâneo.