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A dança das favelas sul-africanas


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A dança das favelas sul-africanas

A Casa da dança em Lyon presta homenagem à dança sul-africana com um ciclo de coreografias.

A primeira chama-se “Sophiatown” e retrata um bairro de Joanesburgo que se tornou num símbolo da luta dos artistas contra o apartheid.

O bairro foi mais tarde demolido mas permanece na memória dos sul-africanos.

“Foi um dos bairros destruídos em 1955. As pessoas viviam juntas em harmonia, havia raças diferentes, indianos, pessoas de cor. Para nós é um modelo que pode ser usado na vida de hoje. Celebramos a democraciasul-africana e revisitamos essa vida”, explicou o coreógrafo Vusi Mdovi.

A coreografia é o mais recente criação da “Via Katlehong”, uma comapnhia de dança fundada nos anos 90 numa favela de Joanesburgo.

A companhia esteve em residência artística em Lyon no âmbito do ano da dança sul africana em França.

“Penso que é tocante a forma como eles desenvolveram uma dança contemporânea urbana nas favelas. São danças que têm uma verdadeira força social , que têm uma missão na sociedade, a primeira é combater o banditismo, a violência e a droga.
A companhia Via Katlehong trabalhou nas favelas e tentou educar os jovens através da arte. Isso é muito comovente”, afirmou Dominique Hervieu, directora da Maison de la Danse, em Lyon.

A África do Sul aboliu o apartheid nos anos 90 mas o problema da segregação não se resolve de um dia para outro, como explica
Vusi Mdovi.

“Ainda a sentimos mas os nossos pais dizem-nos que mesmo assim as coisas melhoraram. A África do Sul ainda é um país jovem e muitas coisas boas vão acontecer”, disse o coreógrafo.

“Temos a possibilidade de criar coisas e mostrar a nossa dança das favelas, não apenas a dança contemporêa mas também as nossas tradições, isso é uma oportunidade que não teríamos tido durante o apartheid”, afirmou Mbali Nkosi, bailarina da companhia sul-africana.

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