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Filipinas: O caos após a tempestade

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De  Euronews
Filipinas: O caos após a tempestade

<p>O cenário em Tacloban, na ilha de Leyte, é de autêntico caos e desolação, quatro dias após a passagem do tufão Haiyan pelas Filipinas. <br /> As autoridades estimam que as vítimas mortais ascendam às 10 mil. A morgue da cidade de Tacloban está encerrada, fazendo com que inúmeros cadáveres se vão amontoando nas ruas.</p> <p>A povoação está isolada e a ajuda humanitária tarda em chegar. A população, em desespero, deambula pelas ruas em busca, essencialmente, de bens de primeira necessidades, como comida e água. </p> <p>A desolação deu, ainda, lugar à insegurança. As pilhagens ocorrem um pouco por toda a cidade, como testemunha este vídeo amador, que mostra um grupo de pessoas a saquear um estabelecimento comercial.</p> <p>“Estava a andar de bicicleta e a tirar fotografias… Quando passei em frente ao centro comercial vi pessoas a entrar. Fiquei curioso e entrei. Vi essas pessoas a furtar comida mas não só. Tiravam, também, roupas, sapatos, relógios, televisores e computadores”, afirmou o autor do vídeo amador.</p> <p>Outra sobrevivente de Tacloban dá conta de como a insegurança é uma das principais preocupações nestes dias de caos, após a passagem do tufão. “Precisamos, essencialmente de água e comida. Não há água potável e faltam alimentos. Mal conseguimos alimentar-nos. A segurança… Algumas pessoas disseram-me que lhes assaltaram as casas. Houve tiros, as pessoas estão matar-se umas às outras… Ouvi falar de violações… Não há polícia, nem ordem. Não há informações das pessoas fora de Tacloban. Nada. É o caos total!”, exlama.</p> <p>Para restabelecer a ordem e a segurança as autoridades reforçaram o contingente das forças de segurança. </p> <p>No aeroporto de Tacloban, milhares de pessoas amontoam-se, com um único objetivo: entrar num avião rumo a Manila, onde há comida e segurança.</p> <p>Para percebermos como está a ser a distribuição da ajuda humanitária, no terreno, conversamos com Elisabeth Byrs, do Programa Alimentar Mundial das Nações Unidas.</p> <p>euronews: Antes de falar sobre ajuda humanitária, as Nações Unidas têm uma ideia do número de vítimas? Fala-se de 10 mil mortos… Devemos esperar mais? Acredito que haja, também, muitos feridos graves… </p> <p>Elisabeth Byrs : “É muito difícil conseguir uma estimativa exata, mas as avaliações iniciais foram feitas para Tacloban e para a região. Há cerca de 7.000 pequenas ilhas numa extensão de 600 km, e a costa foi varrida. Não creio que possamos ter um balanço, em breve, até que a ajuda seja capaz de chegar aos lugares mais isolados. E a nossa prioridade são os sobreviventes. “</p> <p>e: “A agência alimentar da <span class="caps">ONU</span> está a combater a fome. Por onde começam, quando existe uma emergência?</p> <p>EB: “Mesmo antes do tufão atingir a costa, já tínhamos enviado remessas de biscoitos energéticos e duas mil toneladas de arroz. Na segunda-feira, 44 toneladas desses biscoitos já tinham chegado a Tacloban. Enviámos essa assistência alimentar, especialmente os biscoitos, para que pudessem ser consumidos de imediato, sem ser necessário prepará-los ou cozinhá-los. Eles fornecem aos sobreviventes, as vitaminas que eles precisam. Com as 44 toneladas que enviámos, fomos capazes de alimentar 120.000 pessoas. Há mais 161 toneladas a caminho. Existe uma ponte aérea entre os nossos armazéns do Dubai, Manila e Tacloban. Com esta primeira remessa de comida esperamos poder ajudar os sobreviventes a ultrapassar a primeira semana.”</p> <p>e: “Como conseguem gerir tudo isso, face aos obstáculos logísticos e às pilhagens que temos dado conta nos nossos noticiários, considerando que o arquipélago das Filipinas é composto por milhares de ilhas?”</p> <p>EB: “Penso que vai ser um pesadelo para a logística, um verdadeiro desafio para as agências humanitárias. Há tanta destruição. Quando temos de cortar uma árvore ou um poste, isso atrasa-nos. São 11 km do aeroporto de Tacloban até ao centro da cidade. Demoramos seis horas a percorrer essa distância. Isso dá-nos uma ideia das dificuldades na distribuição.”</p> <p>e: “Este desastre relembra o trágico maremoto no Oceano Índico, em 2004. Na altura referiu-se que as agências estavam em concorrência. Aprenderam com isso?”</p> <p>EB: “O paralelismo foi feito quando os primeiros peritos chegaram ao local, pois os danos e a paisagem devastada assemelhavam-se ao que viram em 2004, após o maremoto em Banda Acé, na Indonésia. Mas a comparação para aí. Depois de qualquer desastre, a <span class="caps">ONU</span> e as <span class="caps">ONG</span>s aprenderam, e a principal lição é: nada de precipitações. A logística tem de ser bem organizada para ser mais eficaz, para evitar que muitas pessoas acorram ao local, o que cria um peso para a coordenação. Com uma boa coordenação e organização, espero que possamos ser o mais eficiente possível. Mas, mais uma vez, num contexto destes, precisamos de admitir que vai ser muito difícil. “</p> <p>e: “Para terminar… Lançou um apelo por donativos. Como é que os cidadãos podem contribuir?</p> <p>EB: “A nossa campanha de doação está no sítio: “www.wfp.org/typhoon“www.wfp.org/typhoon. Qualquer um pode contribuir, mesmo com pequenas quantias.”</p>