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Filipinas: Do desespero emerge a violência

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Filipinas: Do desespero emerge a violência

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Sem nada para comer ou beber, alguns sobreviventes do Haiyan lançam-se em pilhagens e já há notícia de trocas de tiros com as forças de segurança nas áreas mais afetadas pelo super tufão que devastou a região central do arquipélago das Filipinas.

Durante um desses assaltos, no caso a um depósito de arroz, em Alangalang, cerca de 25 km a oeste de Tacloban, oito pessoas morreram esmagadas quando uma parede do armazém ruiu, esta quarta-feira.

Para desespero das mais de 11 milhões de pessoas afetadas pela calamidade, a ajuda continua a chegar a conta-gotas, cinco dias após a catástrofe. Concentrado noutros problemas, o governo português admite vir a ajudar as Filipinas, mas só irá avaliar a questão “quando e se vier a ser solicitado” um auxílio, afirmou o ministro da Defesa, José Pedro Aguiar-Branco.

No terreno, um trabalhador humanitário belga compara a situação ao “tsunami” que varreu o sudeste asiático em 2004. “Não resta praticamente nada. Foi quase tudo destruído. São imensas pessoas desalojadas, sem água e sem comida”, referiu.

Esta equipa de socorro belga quer montar um sistema de purificação de água em Tacloban onde a população já rebentou com canalizações para ter acesso a água que nem sequer sabe se é potável neste momento.

À medida que se avoluma o balanço dos mortos, avançam os enterros em massa, mas as valas comuns não chegam para limpar o ar do cheiro dos cadáveres em putrefação.

A ONU estima que pelo menos 10 mil pessoas morreram, um número que o presidente das Filipinas considera exagerado. Mas os 2500 mortos que Benigno Aquino aponta como teto máximo para o balanço da tragédia parecem não passar de um eufemismo numa altura em que a contagem oficial pode atingir esse valor ainda hoje.