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Rússia procura aproximar-se do Egito

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Rússia procura aproximar-se do Egito

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Os ministros russos da Defesa e dos Negócios Estrangeiros visitaram o Cairo, esta quinta-feira, para discutir a cooperação com o Egito. Washington, aliado tradicional do Egito, congelou parte de sua ajuda militar ao país. Para esclarecer os contornos e implicações desta visita de Moscovo, a euronews conversou com o analista político, Samir Ghattas.

euronews: “Dado o momento atual, que significado tem esta visita ao Egito de responsáveis militares e da diplomacia de Moscovo?

Samir Ghattas: “As políticas norte-americanas provocaram muito desconforto e confusão no Médio Oriente e em particular no Egito, especialmente depois do derrube do regime da Irmandade Muçulmana.

Essa mudança no poder levou os Estados Unidos a adotar uma nova política em relação ao Egito, que incluiu pressões sobre os militares e o corte nos apoios económicos e militares.

Esta visita dá a indicação que o Egito inicia novas relações, ou mais precisamente, que começa a renovar antigos contactos com diferentes regiões do mundo, nomeadamente com a Rússia e talvez mais tarde com a China, a Índia e outras potências emergentes.

Julgo que existe a necessidade de desenvolver as relações económicas entre os países. A Rússia é, de facto, um dos maiores exportadores de trigo do mundo, um produto de que o Egito tem uma necessidade urgente”.

euronews: Porque é que esta situação, que surge após anos de relações difíceis, não é considerada como uma troca de papéis entre Washington e Moscovo?

Samir Ghattas : “Não acredito que possa atingir o nível de partilha, de divisão funcional dos papéis, já que Moscovo e Washington têm interesses completamente diferentes no Médio Oriente. Os Estados Unidos não vão deixar a Rússia voltar a instalar-se nesta região. Mas se a Rússia – que já tem uma presença forte na Síria e fortes laços com o Irão – conseguir desenvolver a capacidade de investir, na sua relação com o Egito, isso pode conduzir a uma nova era para Moscovo no Médio Oriente”.