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Bachelet favorita para recuperar presidência do Chile

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Bachelet favorita para recuperar presidência do Chile

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O próximo Presidente da República do Chile vai, com toda a probabilidade, ser uma mulher.

Michelle Bachelet parece pronta a recuperar a presidência que ocupou entre 2006 e 2010 e tem uma vantagem confortável nas sondagens para as eleições deste domingo.

A dúvida é se Bachelet conseguirá, ou não, os 50% que lhe garantem a vitória à primeira volta. O tira-teimas está marcado para o dia 15 de dezembro.

A adversária chama-se Evelyn Matthei e representa a coligação de centro-direita, atualmente no poder. As sondagens dão-lhe uma votação muito abaixo da de Bachelet. Mesmo assim, a haver segunda volta, Matthei tem o lugar garantido.

Pela primeira vez, os chilenos vão eleger um presidente de forma voluntária, sem a obrigatoriedade de voto. A maioria dos nove candidatos ao palácio de La Moneda propõe rever Constituição do Chile, redigida ainda pelo antigo ditador Augusto Pinochet.

Em extremos opostos estão Michelle Bachelet e Evelyn Matthei. Michelle é filha do general Alberto Bachelet, leal a Salvador Allende, enquanto Evelyn é a filha do general Fernando Matthei, que fez parte da junta militar do governo de Pinochet.

Bachelet, 62 anos, candidata-se à presidência com o apoio da coligação de centro-esquerda que governou o Chile de 2006 a 2010.

Bachelet propõe rever a Constituição, tornar o sistema fiscal mais justo e reformar o sistema educativo do país: “A reforma vai garantir uma educação pública de qualidade, gratuita e sem fins lucrativos. Acreditamos que a educação é um direito social e não uma mercadoria”, disse num discurso.

Evelyn Matthei, 59 anos, representa a Alianza, a coligação de centro-direita no poder.

Conhecida pelo caráter forte e mordacidade, repudia o programa da esquerda de Bachelet: “Em suma, o nosso programa assemelha-se à Alemanha de Merkel, o deles assemelha-se à Alemanha do Muro de Berlim”.

A antiga ministra do Trabalho do presidente cessante Sebastián Piñera considera irrelevante a revisão constitucional. Matthei pretende continuar com a política económica favorável às empresas, que permitiu um crescimento do PIB na ordem dos 4%.

Piñera deixa a presidência com uma taxa de desemprego inferior a 6%, mas também um legado de instabilidade social, com os trabalhadores a reclamarem melhores salários e mais estabilidade laboral.

Para o presidente da federação dos estudantes universitários, Andrés Fielbaum, o modelo neoliberal no Chile expirou: “Há quatro anos, falar de educação gratuita era uma loucura. Agora, é algo visto como necessário para o Chile. Estávamos muito acostumados a supor que o privado era mais eficaz, que os lucros eram o motor de toda a atividade humana e que o Estado deveria assumir um papel secundário. Depois de anos de mobilizações, percebeu-se que há áreas na vida onde os negócios devem ser erradicados.”

A mobilização dos estudantes chilenos não perde força, ao contrário do que acontece noutros setores da sociedade, que reclamam a sua parte na riqueza. O próximo presidente não terá um período de estado de graça, principalmente se a economia voltar a abrandar.