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Ucrânia: Perdida na Transição

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Ucrânia: Perdida na Transição

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A maior parte dos ucranianos com menos de 30 anos tem esperança numa integração na Europa. Roman é estudante e está otimista em relação ao futuro, mas talvez não na Ucrânia. “Daqui a 15 anos imagino-me um músico, a tocar bateria e a aproveitar a vida nos EUA. Não tenho pensado muito sobre política, não estou interessado. Isso não significa que seja indiferente à situação no meu país. Apenas não sei muito bem o que fazer em relação a isso.”

Muitas pessoas sentem-se perdidas nesta transição da esfera soviética até 1991, para um estado moderno e independente.

A maioria dos ucranianos de todas as idades do oeste e do centro do país apoiam a integração na UE, enquanto no leste existem laços mais estreitos com a Rússia. Mas entre os menores de 30 anos, de acordo com um sociólogo de Kiev, 56% são a favor da Europa e 22% apoiam uma união aduaneira com a Rússia.

Segundo Iryna Bekeshkina, da Fundação para as iniciativas Democráticas Ilko Kucheriv: “Infelizmente, nem só os jovens ucranianos sentem que não conseguem influenciar a situação no país. Isto é o que as sondagens indicam: as pessoas simplesmente acham que não há outros instrumentos para influenciar as decisões do governo, senão as eleições. Os comícios são vistos apenas como um instrumento, mas apenas parcialmente, são vistos como pouco eficazes.”

Acrescenta ainda que:“A maioria dos jovens com menos de 30 anos na Ucrânia são a favor da Europa. Predominantemente do leste e do oeste. Desta forma, os jovens diferem menos entre si, do que as pessoas mais velhas.”

Roman nasceu numa Ucrânia independente e não tem lembranças de um outro passado. Não sabe muito sobre o Acordo de Parceria com a UE, algo comum entre a maioria dos jovens na Ucrânia.

Leonid Kravchuk foi o primeiro Presidente da Ucrânia. Serviu a nação desde 5 de dezembro de 1991 até à demissão em julho 1994. É considerado como sendo astuto, diplomático e cauteloso. Depois de se tornar presidente da Ucrânia independente, alcançou e reforçou a soberania do país e desenvolveu as relações com o Ocidente.

Sergio Cantone, euronews: “Presidente Kravchuk não tem receio que a assinatura do Acordo de Parceria possa abrir a Caixa de Pandora das divisões entre os ucranianos?”

Leonid Kravchuk: “Acho que com a não assinatura do acordo isso pode acontecer, apesar de não acreditar, pois pode agravar a situação na Ucrânia. Não devemos pensar numa divisão, mas sim numa situação grave, que pode influenciar as questões económicas e sociais e influenciar as futuras eleições presidenciais.”

euronews: “De acordo com as sondagens a maioria dos ucranianos quer que o Acordo de Parceria com a UE seja assinado, mas ao mesmo tempo há uma forte minoria que tem medo. Também têm medo de cortar os laços com a Rússia. Acha que estão receosos de um futuro na UE, porque não sabem o que a União representa?

Leonid Kravchuk: “A sociedade não tem medo, mas considera que a Rússia é um país onde as condições de vida são as mesmas que na época da União Soviética. A vida na Rússia para eles é a mesma que na ex-URSS e conhecem estas condições, mas não conhecem as condições de vida na Europa.”

Sabem que as exigências para o modo de vida europeu são elevadas: a competitividade, a qualidade dos produtos, um estado de direito e igualdade para todos perante a lei.

O Governo em geral e a oposição não conseguiram dar às pessoas uma explicação sobre como vamos viver na Europa, se entrarmos na UE. Que exigências vão ser definidas e se seremos capazes de as cumprir. É preciso dizer a verdade às pessoas.”