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Sobreviventes filipinos em situação dramática

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Sobreviventes filipinos em situação dramática

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A mensagem está escrita em todas as superfícies de modo a ser vista do alto, dos lados de frente: Ajudem. Mas a ajuda não chega e a população tem de procurar sobreviver por si, procurar cadáveres sob os escombros, enterrá-los, destruir produtos degradáveis, juntar todo o lixo acumulado nas ruínas, queimá-lo para evitar, na medida do possível, as epidemias, e procurar conservas e água potável. Mais uma vez, o mundo não consegue responder com eficácia a uma situação de emergência humanitária.

A AMI, portuguesa, tem no terreno dois responsáveis e vai enviar outros quatro no próximo sábado. A missão está em Tacloban com o objetivo de fornecer segurança alimentar e dar assistência médica à população da ilha de Leyte, participando no esforço coletivo de restabelecer a normalidade da vida das pessoas afetadas pela passagem do tufão Haiyan, no dia 8 de novembro.

Um dos sobreviventes mais ativos trabalha com afinco:

“Estamos a construir abrigos temporários porque não temos uma casa onde ficar, as pessoas que estão dentro do centro de convenções tiveram ordem de saída para as autoridades começarem a limpar. A nossa casa foi varrida por uma forte vaga”.

Para construir casas, são precisas ferramentas e material que não chegou ainda. Assim, o lixo é afastado com os paus, os pregos são arrancados com pequenos ferros e as juntas são marteladas com pedras.

Mesmo assim há quem tenha conseguido reunir o suficiente para fazer o seu pequeno negócio…e houve quem fugisse por ter dólares ou ser estrangeiro, os testemunhos sucedem-se. Aos outros, as autoridades confinam às zonas afetadas pela tragédia.

Oito milhões de mulheres e de crianças precisam de ajuda nas Filipinas, segundo a ONU, que distribuiu comida e água a pouco mais do que um milhão.

A história dramática dos sobreviventes pouco varia.

Um homem afirma: “Não temos quaiquer escolhas para o futuro. Plantamos legumes e apanhamos um coco para lançar aos outros e fazê-los cair”.

Uma mulher queixa-se: “É muito difícil. Não temos onde nos abrigar, não temos comida nem roupa. É demais”.

As autoridades das Filipinas elevaram hoje para 4.011 o número de mortos registados no arquipélago devido à passagem do tufão Haiyan, que devastou a região centro do país.

De acordo com os dados mais recentes, o tufão causou ainda 18.557 feridos e 1.602 desaparecidos.

A maior parte dos mortos, num total de 3.310, foi registada na província de Leyte, a mais afetada pelo tufão.