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A uma semana da Cimeira entre a União Europeia e os chamados “Parceiros de Leste”, ainda não é claro se a Ucrânia se quer tornar num potencial membro da União ou se se quer juntar à Rússia numa União Aduaneira.
No encontro que vai decorrer em Vilnius a 28 e 29 de novembro, deveria ser assinado o acordo de associação com a União, mas uma das condições exigidas era a libertação da ex-primeira-ministra Tymoshenko, o que ainda não aconteceu.

Alguns especialistas de Bruxelas acreditam que a pressão é enorme sobre Kiev.
Peter Sondergaard, do European Endowment for Democracy acredita que “tal como num jogo de futebol, entramos agora no prolongamento. Ainda não é claro se o jogo é entre a Rússia e a União Europeia ou se entre a Ucrânia e a União. Mas espero que seja encontrada uma solução que deixe os parceiros do leste mais perto da União Europeia.”

Uma visão menos otimista tem Christian Forstner, diretor da Fundação Hanns-Seidel na Rússia. Forstner considera que Moscovo oferece a Kiev mais vantagem a curto prazo: “a União Europeia propõe à Ucrânia projetos a longo prazo, como relações comerciais privilegiadas, mas o país precisa de ajuda urgente. O acordo com a União Europeia e a União Aduaneira com a Rússia são incompatíveis, por isso acredito que Kiev não vai assinar este acordo.”

Vladimir Putin considerou o colapso da União soviética a maior catástrofe geopolítica do século 20. Moscovo desencorajou fortemente as reformas democráticas da Ucrânia durante a chamada revolução laranja.
Roland Freudenstein, especialista do Centro de Estudos Europeus, considera que “este é um erro estratégico para a Rússia. Moscovo deveria estar interessada em ter vizinhos como uma justiça desenvolvida, bons governos e liberdade. Mas parece que quem está no poder na Rússia considera estes países uma ameaça.”

Também as relações entre a Rússia e a União parece estar a degradar-se à medida que se aproxima a cimeira de Vilnius. Coincidência ou não…este ano só ocorreu um encontro entre as duas partes e a tradicional cimeira do fim do ano foi adiada.

Para aprofundar este tema, o correspondente da euronews em Estrasburgo Rudolf Herbert entrevistou o eurodeputado alemão do grupo dos Verdes, Werner Schulz.

Rudolf Herbert, euronews:
“Não seria mais fácil ou mais apropriado apoiar a Ucrânia no caminho da democratização em vez de esperar que o país se adapte aos ‘standards’ europeus?”

Werner Schulz, eurodeputado:
“Não vejo aí uma contradição. Os ‘standards’ europeus são iguais à democracia e às regras da lei.
Mas são necessárias reformas, quer seja no setor económico ou a nível de impostos, quer seja no sistema legal, que não surgem sozinhas. As tradições em que se baseia o atual sistema remontam à União Soviética e aparentemente não são abandonadas de forma simples. Existem leis em vigor que foram criadas por Stalin. Sem uma direção e sem a pressão da União Europeia, não vão desaparecer.”

Rudolf Herbert, euronews:
Mas a Rússia também está a pressionar a Ucrânia, de forma económica e política. Não estará a Ucrânia e os outros países do leste sob ameaça de instabilidade..pressionados pelos interesses da Rússia, de um lado e os interesses da União Europeia do outro? Estamos a colocar estes países em risco?

Werner Schulz, eurodeputado:
“Existe uma diferença entre a União Europeia e a Rússia. Enquanto a União tenta criar incentivos, a Rússia pressiona, ameaça e faz chantagem à Ucrânia.
Não queremos que a Ucrânia vire as costas à Rússia, mas esse é o objetivo de Putin.
O presidente russo diz que a Ucrânia vai adotar uma política suicida se assinar o tratado de associação com a União. Putin defende medidas protecionistas contra a Ucrânia e será instalada uma guerra comercial e a Rússia já fechou as torneiras do gás duas vezes.

Estão a ser usadas todo o tipo de estratégias de chantagem de forma a reconstruir uma União Soviética ‘Light’.
Não nos incomoda que a Ucrânia tenha boas relações com a Rússia, mas a Ucrânia anda de um lado para o outro..o que vai criar confusão a longo prazo…e não vai dar segurança ao país.

A Ucrânia tem de se decidir e acredito que este caso vai ter um final feliz. Vai virar-se para a Europa ocidente e para a União Europeia sem quebrar as relações com a Rússia.”

Rudolf Herbert, euronews:
“E as relações entre Bruxelas e Moscovo? Vão ser afetadas com este conflito?”

Werner Schulz, eurodeputado:
“Neste momento as relações estão tensas. Não queremos qualquer conflito, mas a União não se afastar agora.
Não temos de estar de costas voltadas face à pressão da Rússia, a Rússia é que pede um tratamento especial. São eles que não querem fazer parte dos “Parceiros de Leste.”
Há anos que tentamos assinar um tratado de cooperação e parceria com a Rússia. Mas pouco se avançou uma vez que a Rússia não está a evoluir em termos de direitos civis, sociedade civil e justiça, aliás está a regredir.”

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