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O diálogo artístico entre a Europa e o Irão

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O diálogo artístico entre a Europa e o Irão

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Uma exposição em Zurique abre portas ao diálogo entre a Europa e o Irão.

A mostra organizada pelo museu Rietberg intitula-se “O fascínio da Pérsia”.

Do século XVII aos dias de hoje, a exposição revela a forma como os dois mundos, o europeu e o persa, se influenciaram mutuamente do ponto de vista artístico.

“Penso que cada um influenciou o outro. Não há um lado que tenha tido mais impacto que o outro. O aspeto mais interessante é que cada um reaje de forma diferente à arte do outro”, disse Axel Langer, comissário da exposição.

Uma das influências europeias na arte persa prende-se com a representação da nudez.

“O nu persa terá sido desenvolvido através do contacto com os europeus. É algo inesperado para um europeu porque temos uma ideia pré-concebida da ética islâmica e pensamos que a nudez não era representada, mas não é verdade. Essas pinturas eram privadas. Não copiavam as fontes europeias mas criavam algo de novo”, disse o especialista.

A arte persa teve uma grande influência na Polónia, nomeadamente nos têxteis.
No século XVII, a nobreza polaca importava cintos de seda da Pérsia e no final do século XVIII essas peças de vestuários com os padrões persas eram produzidas por polacos de origem arménia.

A exposição não se fica pelas artes do passado. Retrata também o trabalho de sete artistas contemporâneos do Irão.

“Integrámos a arte contemporânea na exposição porque queríamos mostrar que arte iraniana também ela é global. Ou seja, ela não é influenciada apenas pelo Ocidente, mas reaje ao mercado global e às ideias globais que reajem por sua vez ao que se passa no Irão o que dá ideias ao público do mundo inteiro”, acrescentou o responsável.

Em paralelo à exposição, o Nour Ensemble toca música de fusão e faz a ponta entre o Irão e o Ocidente.

O grupo fundado em 2000 cruza as sonoridades persas com a música medieval europeia.

“Porque razão escolhi a música medieval europeia? Porque essa música tem três pontos em comum com a música persa. Primeiro é modal. Em segundo lugar, é inspirada pelo povo. Outro elemento comum é a improvisação que também existe na música medieval”, disse Christophe Rezai, compositor do grupo.

“Cada um dos elementos do grupo, franceses e persas tenta inspirar-se nas suas próprias tradições musicais. Cada um de nós conversa musicalmente na sua própria língua. Por exemplo, há uma parte da música puramente iraniana e depois uma parte europeia, essas duas partes misturam-se para criar um novo tema”, explicou o músico.

A exposição “O fascínio da Pérsia” pode ser visitada até finais de Janeiro no museu Rietberg em Zurique, na Suíça.