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Jogos Indígenas a crescer para lá do Brasil

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Jogos Indígenas a crescer para lá do Brasil

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Durante oito dias, entre 8 e 16 de novembro, mais de 1500 atletas indígenas deram cor e emoção à 12.a edição dos Jogos Indígenas, um género de Olimpíadas dos Indios, que decorreu na cidade de Cuiabá, Estado de Mato Grosso, no Brasil. A maior parte dos participantes era representante de 48 tribos brasileiras. Os restantes eram oriundos de 17 outros países, a maioria da América do Sul. Mas a proxima edição será ainda maior.

Do programa deste ano faziam parte vinte modalidades, 10 delas tradicionais da cultura indígena. A poucos meses do Mundial da FIFA que se vai realizar exatamente no Brasil, o futebol teve particular destaque em Cuiabá.

A final feminina, realizada a 14 de novembro, colocou frente-a-frente as equipas do Gavião Parkateje e do Kura-Bakairi. Vitória para as indígenas Parkateje, por 3-1.

Rayane Gavião, uma das campeãs, revelou um dos objetivos da equipa: “Nós, indígenas, desde pequenos que praticamos este desporto. Já faz parte da cultura indígena. Gostamos de futebol e também queremos ser reconhecidas mundialmente.”

A final masculina desenrolou-se no mesmo dia. Vitória para os Kanela do Maranhão sobre os Kaingang do Paraná, por 1-0.

Jair, treinador de uma das equipas de futebol em competição, recordou o crescimento do futebol na cultura indígena. “Os meus pais e os meus tios jogavam e não sabiam sequer o que era uma falta ou um ‘impedimento’ (fora de jogo). Eles jogavam aberto, sem juízo. Mas, hoje em dia, nós já aprendemos tudo sobre futebol”, garantiu.

O futebol foi, também nestes Jogos Indígenas, um desporto rei. Mas houve outras modalidades em competição com interesse, em especial pela curiosidade que despertam. Por exemplo, o xikunahaty, uma espécie de futebol, mas em que apenas se pode recorrer à cabeça para jogar a bola, que é feita de um látex especial produzido por algumas tribos de Mato Grosso.

A meio da edição deste ano, os Jogos Indígenas receberam em Cuiabá a visita do ministro brasileiro do Desporto, Aldo Rebelo, que aproveitou a presença para anunciar o acordo com o Comité Intertribal e o governo estadual de Mato Grosso para a organização da próxima edição da competição em 2015.

Com a cidade-sede a ser conhecida em janeiro do próximo ano, a 13.a edição dos Jogos Indígenas vai contar com um contingente ainda mais alargado de representações internacionais. Às 17 atuais – que incluem, por exemplo, Estados Unidos, Noruega ou Canadá -, a próxima edição tem já confirmadas também as presenças de China, Austrália e Rússia.

Mais informação sobre os Jogos Indígenas:
http://www.esporte.gov.br/index.php/institucional/esporte-educacao-lazer-e-inclusao-social/jogos-indigenas/noticias