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Berlusconi: O político que queria ser diferente dos políticos

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Berlusconi: O político que queria ser diferente dos políticos

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Silvio Berlusconi entrou na política italiana nas legislativas de 1994. Itália estava em choque devido à operação “Mãos Limpas” contra a corrupção institucionalizada e que minou a credibilidade dos partidos políticos que governaram o país no pós-guerra.

O presidente do AC Milan criou Forza Italia para ocupar o espaço deixado vago pelos democratas-cristãos. O partido queria colocar a liberdade individual e o mercado no centro da atividade política e lançar o país numa era de prosperidade. Berlusconi tinha ao seu serviço um império mediático.

Berlusconi vence as eleições e chega à chefia do governo, mas tem que se aliar à Aliança Nacional, de Gianfranco Fini, e à Liga do Norte, de Umberto Bossi.

O seu primeiro executivo teve uma vida curta. A Liga do Norte abandonou o barco quando Berlusconi decidiu colocar na gaveta a prometida federalização do Estado. No dia 22 de dezembro de 94 Berlusconi é obrigado a demitir-se.

Berlusconi vai demorar seis anos a regressar ao poder. Durante a campanha eleitoral de 2001, o candidato assina um contrato com os italianos, durante um talk-show televisivo na estação pública, e promete reformas liberais e uma descida generalizada dos impostos.

O milionário acaba por vencer as eleições à cabeça de um partido rebatizado A Casa das Liberdades. Desta vez o eleitorado dá-lhe a maioria absoluta o que permita Berlusconi cumprir um mandato de cinco anos, algo nunca visto na política italiana desde o final da Segunda Guerra Mundial.

Na política externa Il Cavaliere apoia o texano George W. Bush na aventura iraquiana e envia tropas para o Médio Oriente apesar da oposição da opinião pública italiana.

Os tribunais fazem parte da vida de Berlusconi apesar de prometer uma forma diferente de fazer política. As manobras dilatórias e a prescrição dos crimes permitiram-lhe sempre escapar a uma condenação por suborno ou fraude contabilística.

O segundo mandato fica marcado igualmente pelas piadas de mau gosto e pelo estilo desbocado do primeiro-ministro italiano.

O episódio de julho de 2003, na sessão plenária do parlamento europeu, é um bom exemplo:

“Senhor Schulz, eu sei que em Itália estão a fazer um filme sobre os campos de concentração nazis. Sugiro-lhe que se candidate ao papel de chefe do campo.”

Em 2008 Berlusconi inicia o seu terceiro mandato na chefia do governo, desta vez na liderança do Povo da Liberdade, o seu terceiro projeto partidário, e começa por prometer uma redução de impostos e perseguir a imigração ilegal.

Mas este é também o mandato dos escândalos sexuais que o vão conduzir à barra dos tribunais, indiciado por incitação à prostituição de menores com abuso de poder.

Apesar de todos estes problemas, Berlusconi só foi derrotado pela crise da dívida soberana italiana, em 2011. A 13 de novembro Il Cavaliere demite-se e é substituído por Mario Monti.