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República Centro-Africana: Um país à beira da implosão

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República Centro-Africana: Um país à beira da implosão

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A França vai enviar um contingente militar para a República Centro-Africana, menos de um ano depois da intervenção no Mali. A missão que está a ser preparada levanta velhas questões sobre o paternalismo de Paris relativamente às antigas colónias. Mas é a própria ONU que alerta para a situação trágica que o país vive atualmente. França aguarda o voto, na próxima semana, de uma resolução do Conselho de Segurança para agir.

“O que é que pretendemos com esta operação? Primeiro, vir em socorro de uma situação humanitária abominável. Em seguida, restabelecer a segurança num país que está a implodir. E em terceiro lugar, permitir uma transição política porque as autoridades do país são transitórias” – afirmou o chefe da diplomacia francesa, Laurent Fabius, no parlamento, esta terça-feira.

Em março, um golpe de Estado depôs o presidente François Bozizé, que se encontrava no poder há dez anos. Michel Djododia liderou os revoltosos, originários do norte do país. A coligação, denominada Seleka, era composta maioritariamente por muçulmanos, num país onde a comunidade islâmica conta 10 por cento da população e os cristãos 80 por cento. Mas o líder rebelde perdeu o controlo dos chefes de guerra que atacam agora as comunidades cristãs.

Michel Djododia conquistou o poder mas este fugiu-lhe das mãos. Apesar da existência de zonas mais instáveis, a situação no resto do país não é melhor. 10 por cento da população abandonou as casas e 25 por cento, mais de um milhão e cem mil pessoas, precisa de ajuda alimentar urgente. Para restabelecer a segurança no país, os contingentes francês e pan-africano, que já estão no país, vão receber um mandato da ONU e ser reforçados.

A população aguarda agora pela intervenção externa. Os rebeldes Seleka são vistos como assassinos pelas populações cristãs, que formam milícias de autodefesa e acabam por agravar o clima de violência. Num país onde cristãos e muçulmanos sempre viveram de mãos dadas, receia-se que a situação descambe numa guerra interconfessional e que a República Centro-Africana se torne num refúgio de combatentes islâmicos vindos de países como o Uganda, o Sudão, a Nigéria, ou mesmo de teatros de guerra mais distantes.