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Kiev: "Quartel-General da revolução" na Ucrânia

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Kiev: "Quartel-General da revolução" na Ucrânia

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Os confrontos regressaram a Kiev este domingo em que a Ucrânia assistiu, de longe, à maior e mais forte mobilização popular desde a “Revolução Laranja”, em 2004.

A oposição não desarma e mantém-se na Praça da Independência exigindo a demissão do Presidente, do governo e a convocação de eleições gerais antecipadas depois de Viktor Ianukovitch ter voltado as costas ao acordo de associação com a União Europeia.

Encapuzados trouxeram um bulldozer para tentar forçar a barreira policial que protege o edifício da presidência. Grupos alheios à oposição infiltraram-se nos protestos e envolveram-se em confrontos violentos com a polícia.

A oposição condenou a violência e rejeitou a ideia de que os confrontos foram provocados por apoiantes seus. Segundo os delatores do regime, “agentes provocadores” infiltraram-se nas concentrações numa tentativa de justificar uma imposição do “estado de emergência” por parte do poder.

Nas últimas 48 horas, contam-se às centenas, os feridos dos confrontos. Já há notícia de vítimas mortais do levantamento popular.

Entretanto, o chefe da polícia de Kiev demitiu-se, tal como a embaixadora da Ucrânia no Canadá, que diz não ter “condições para continuar a trabalhar”

Entre 150 mil a 500 mil pessoas, segundo as fontes, participaram na concentração deste domingo que desafiou a proibição de manifestações imposta na véspera depois de uma violenta carga policial durante a madrugada na praça da Independência, epicentro da revolta.

Tal como em 2004, os manifestantes ocuparam o edifício sede dos sindicatos e a Câmara Municipal de Kiev, onde foi pendurada uma faixa a dizer “Quartel-General da revolução”.

O presidente, Viktor Ianukovitch está a considerar decretar o “estado de emergência” mas para já tenta acalmar os ânimos. Neste domingo em que se assinala o aniversário do referendo de 1991 que conduziu a independência, Ianukovitch garantiu que irá “tudo fazer para acelerar a aproximação à União Europeia”, depois de ter recuado no acordo que abria as portas da Europa à Ucrânia.

Enterrada em dívidas e dependente do gás russo, Kiev não tem grandes condições para fazer frente ao Kremlin. Os críticos denunciam um regresso ao passado soviético.

A correspondente da euronews, Angelina Karyakina, refere que “não foi dada nenhuma explicação aos ucranianos a propósito da repressão brutal da manifestação pacífica de sexta-feira e os protestos estão a tornar-se mais radicais. os manifestantes tentaram invadir edifícios públicos e exigem a demissão do governo e do presidente. É esse, o objetivo final que a oposição quer alcançar de forma pacífica, mantendo o apelo para os apoiantes permanecerem na Praça da Independência”.