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Sucesso das séries turcas irrita Paquistão

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Sucesso das séries turcas irrita Paquistão

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Nos últimos quinze anos, as séries de televisão da Turquia têm tido um grande sucesso no Médio Oriente, na Ásia central e no continente indiano. Uma popularidade que é vista como uma ameaça em vários países.

No Paquistão, há quem acuse as produções turcas de pôr em causa os valores islâmicos e prejudicar o desenvolvimento da indústria audivisual nacional.

É mais barato comprar as produções turcas do que produzir localmente, como refere o ator paquistanês Abid Ali.

“As séries turcas são produções muito caras e a nossa indústria não tem meios. Por outro lado, não estamos preparados, vivemos um período de estagnação social, política e económica. É um grande desafio e por isso as nossas séries têm menos sucesso”, explica Abid Ali.

Para a atriz paquistanesa Javeria Abbasi, a indumentária das atrizes turcas é um problema.

“Se as nossas estrelas de televisão se vestissem assim, toda a gente seria contra mas as pessoas aceitaram esse facto nas séries turcas o que está mal. Se as gerações mais jovens não conhecerem a literatura urdu e a cultura paquistanesa como poderão praticá-la? Por isso, sou contra as séries turcas e penso que deviam parar de passá-las no Paquistão”, considera a atriz.

Com um orçamento reduzido não é fácil fazer televisão. Muitas vezes, as equipas trabalham com uma só câmara.

Para alguns políticos paquistaneses, as séries turcas promovem valores contrários à cultura local. Mas há quem pense que se trata de uma lufada de ar fresco.

“Penso que as série turcas são uma lufada de ar fresco. As paisagens são bonitas e as pessoas acompanham as estrelas das séries há vários anos. No início, as pessoas viram caras novas e descobriram uma nova realidade com as produções turcas, elas cativaram os telespectadores paquistaneses. Para eles foi uma mudança”, afirma Athar Waqar Azeem, responsável de programação numa cadeia de televisão paquistanesa.

A indústria audivisual sofre com a concorrência do exterior, mas há um setor que beneficia do sucesso das séries estrangeiras, o das dobragens.

A atriz Tasleem Ansari faz dobragens há vários anos tem uma visão positiva das produções turcas.

“O vestuário não é um critério para criticar essas séries, não acredito nesse argumento. Nas produções paquistanesas os vestidos são cada vez mais curtos, vi-o há pouco tempo na televisão, uma atriz tinha uma mini-saia. Essa roupa não tem a ver com os costumes locais mas as séries turcas têm a ver com a cultura turca, as pessoas apreciam-na e aceitam-na”, refere Tasleem Ansari, veterana na profissão.

Não é só no Paquistão que as séries turcas são vistas por alguns políticos como uma ameaça à cultura local. No Azerbaijão e nos Balcãs, há vozes que acusam a Turquia de estender a sua influência nos territórios que faziam anteriormente parte do império Otomano.

Mas há muita gente com uma opinião diferente da dos políticos.

“As séries turcas são boas e alteraram a forma de fazer televisão porque são diferentes das séries indianas e paquistanesas. Podemos ver caras novas e lugares diferentes, que são fascinantes e recheados de glamour”, afirma Samina Ahmed, uma telespetadora viciada nas séries turcas.

Para a Turquia, trata-se de um bom negócio. Em 2011, o país exportou mais de cem séries para 20 países. Uma operação que rendeu 44 milhões de euros e fortalece a posição da Turquia no mercado audivisual internacional.