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Mandela e os bons amigos Desmond Tutu e De Klerk

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Mandela e os bons amigos Desmond Tutu e De Klerk

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Nelson Mandela terá feito muitos amigos por todo o mundo ao longo dos seus 95 anos de vida. A maioria deles, certamente, nos últimos 20 anos, desde que ganhou o prémio Nobel da Paz e subiu à presidência da África do Sul. Mas duas figuras já faziam parte do seu círculo mais próximo de amizades e assim se mantiveram até aos últimos dias: o arcebispo emérito da igreja Anglicana sul-africana, Desmond Tutu, e o antecessor do popular” Madiba na prisidência sulafricana, Frederik de Klerk.

Entre Mandela e Tutu, havia 13 anos de diferença. O antigo presidente era mais velho, morreu esta quinta-feira, aos 95. Desmond Tutu guarda boas memórias do amigo, como a história após um almoço com Madiba. “Ele acompanhou-me à porta de saída e depois chamou pelo motorista. Eu percebi que ele estava a chamar o meu motorista e, por isso, disse-lhe: ‘Não! Eu próprio vim a conduzir desde o Soweto’. Uns dias depois, Mandela disse-me: ‘Encontrei alguém que está disposto a dar-te por mês cinco mil rands (cerca de 350 euros ao câmbio atual) para que possas ter motorista?”, recordou o arcebispo sul-africano, numa conferência de impresna esta sexta-feira, perante uma plateia que não conteve o riso perante o episódio e a imitação brincalhona que Tutu fez da voz de Mandela.

Frederik de Klerk, o último presidente branco da África do Sul, acompanhou de perto Mandela no início da década de 90. Depois de lhe passar o testemunho da liderança do Governo da África do Sul a 10 de maio de 1994, De Klerk passou a vice-presidente do primeiro presidente negro da África do Sul e assim se manteve até junho de 1996, um ano antes de se reformar da vida política ativa.

“Foi numa honra ter trabalhado com ele. Embora tenhamos sido adversários políticos e a nossa relação ter tido alguns episódios turbulentos, sempre fomos capazes de nos unirmos nos momentos cruciais para resolver as muitas crises que nos surgiram”, afirmou.

“Sou da opinião de que Mandela merece ser recordado pela imagem de um dos grandes homens que passou pelo Mundo no último século”, defendeu ainda De Klerk, que há exatamente 20 anos brilhou em Oslo, ao lado de Nelson Mandela. A luta de ambos pelo fim do Apartheid na África do Sul valeu-lhes a partilha do Nobel da Paz de 1993, um prémio que, curiosamente, Desmond Tutu havia recebido em 1984.