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Mundial 2014: Quem tem motivos para sorrir?

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Mundial 2014: Quem tem motivos para sorrir?

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Alegria e medo, são os dois sentimentos predominantes após o sorteio da fase de grupos do Campeonato do Mundo de 2014 na Costa de Sauípe.

Alegria para o Brasil, que defronta a Croácia no encontro de abertura em São Paulo. México e Camarões são as outras equipas no caminho do escrete canarinho.

Tudo jogos complicados, é certo, mas sem defrontar já nenhum tubarão do futebol europeu. A equipa de Luiz Felipe Scolari tem tudo para carimbar o passaporte para os oitavos-de-final sem grandes dificuldades.

Medo para a Espanha, os campeões do mundo em título não foram bafejados pela sorte.

A euronews reuniu um painel de especialistas para darem a sua visão sobre os grupos mais complicados do mundial.

O espanhol Juan Antonio Aldeondo explica o que a Espanha tem a temer: “A pressão de serem favoritos e o mais que provável fim de carreira internacional para alguns dos pesos pesados da equipa serão os maiores inimigos da Espanha. Se a isto juntarmos o potencial da Holanda, a garra, ousadia e qualidade do Chile e a sempre imprevisível Austrália, podemos concluir que La Roja não teve grande sorte com os adversários. Além disso, o segundo lugar do grupo significa um provável duelo com o Brasil nos oitavos de final.”

Alegria também para a Grécia de Fernando Santos, o técnico português tem uma oportunidade de ouro para colocar pela primeira vez a seleção helénica entre as 16 melhores equipas do mundo.

No grupo D, é perfeitamente normal que o medo domine todas as equipas. Sempre são três campeões do mundo: Itália, Inglaterra e Uruguai.

Para a italiana Cinzia Rizzi “a Itália não teve muita sorte” sendo obrigada a defrontar a Inglaterra, uma equipa sedenta de títulos e que persegue o primeiro troféu em 50 anos e o Uruguai, com um fora de série como Cavani que os italianos bem conhecem. Já o inglês Andrew Robini mostrou-se satisfeito com o resultado do sorteio, assegurando que a melhor forma de avaliar o verdadeiro estado da equipa é defrontar a Itália logo a abrir.

Dificilmente haveria equipa mais feliz que a França após o sorteio, os gauleses medirão forças com Suíça, Equador e Honduras mas a sua tendência para se autodestruir nos grandes torneios deixa tudo em aberto.

Carlos Queiroz tem pela frente Lionel Messi e companhia, Bósnia e Herzegovina e Nigéria também estão no caminho do Irão.

Quanto a Portugal, tem uma missão bem complicada num grupo onde todas as equipas passaram da fase de grupos na África do Sul. A equipa das quinas terá de fazer bem melhor que na fase de qualificação para garantir um lugar nos oitavos-de-final no Brasil.

A história parece estar contra a equipa das quinas, não abundam as vitórias contra a Alemanha e a última tem já 13 anos. Já os Estados Unidos representam na perfeição o facilitismo que por vezes domina a equipa das quinas. No mundial de 2002, Portugal era o claro favorito e foi derrotado por 3-2.

Já o alemão Thomas Gahde prefere realçar os duelos fraternais no grupo: “Kevin-Prince Boateng e Jérôme Boateng voltam a estar em lados opostos num Campeonato do Mundo numa reedição do Alemanha-Gana na África do Sul, que os alemães venceram 1-0. E claro o duelo entre Joachim Löw e o seu antigo chefe Jürgen Klinsmann. No verão de 2006, Klinsmann viveu um verdadeiro sonho no comando da Alemanha. Agora tem por missão fazer a vida dos alemães num pesadelo.”

Finalmente o grupo H, que com Bélgica, Argélia, Rússia e Coreia do Sul parece ter deixado toda a gente satisfeita.

O argelino Slimane Yacini refere que nunca antes o seu país teve um sorteio tão favorável num Campeonato do Mundo, mas que não se podem descartar “equipas ambiciosas como a Bélgica, que regressa em grande, a Coreia do Sul, que participa no oitavo mundial consecutivo e a Rússia, que depois de 12 anos de ausência quer fazer boa figura antes de receber o Campeonato do Mundo.”

Para Gleb Shatunovsky a Rússia pode dar-se por satisfeita com o resultado do sorteio mas “as outras equipas estão igualmente satisfeitas por defrontarem a Rússia, sendo que uma equipa que regressa ao mundial depois de 12 anos de ausência dificilmente pode ser considerada favorita.”

Alegria e medo, dois sentimentos que valem o que valem sem que nenhuma equipa tenha entrado em campo. Aí, sim, veremos quem tem motivos para rir e para chorar.

Seja quem for a equipa coroada no dia 13 de julho no Maracanã, ainda tem muito trabalho pela frente.

Portugal tem todos os motivos para sonhar, apenas terá de estar ao seu melhor nível. O primeiro encontro está marcado para Salvador da Bahia, dia 16 de junho frente à Alemanha.