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Presidente confirma "funeral de Estado" para Mandela

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Presidente confirma "funeral de Estado" para Mandela

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O presidente da África do Sul reagiu ao final da noite de quinta-feira à morte de Nelson Mandela. Numa comunicação dirigida aos compatriotas, Jacob Zuma confirmou “a partida” do símbolo da democracia no país e revelou a hora do derradeiro adeus do popular e sorridente Madiba, 20 anos depois de ele ter sido agraciado com o Nobel da Paz.

“O nosso querido Nelson Rolihlahla Mandela, o presidente fundador da nossa pátria democrática, partiu. Ele morreu às 20 horas e cinco minutos do dia cinco de dezembro”, disse, de forma compassada e sentida, o atual chefe de Estado sul-africano, informando que Mandela terá honras de um “funeral de Estado” e que as bandeiras do país serão colocadas a meia haste esta sexta-feira e assim se manterão até ao funeral.

Nas ruas, a população celebrou à sua maneira, não a morte de Mandela, mas sim o que a obra deixada pelo homem que conduziu o país ao fim do Apartheid e ao estabelecimento da liberdade e tolerância entre todos sul-africanos, independentemente da cor da pele, do credo ou da etnia. A música e a dança foram uma constante. Mas antes de mais houve tempo para as lágrimas.

Uma mulher, acompanhada por duas crianças, não conteve as emoções perante as câmaras de televisão. “Estou triste, mas ao mesmo tempo acho que ele cumpriu o seu papel nesta vida. E desempenhou-o muito bem. Não faz mal que tenha partido. Fez tudo o que pôde e ja era bastante velho”, reconheceu.

Um homem descreveu o momento que se vive na África do Sul como “trágico e triste”. “Mas ao mesmo tempo”, prosseguiu, “devemos celebrar tudo o que ele fez e nos deu. Eu próprio não seria livre se não tivesse sido ele”, sublinhou.

A morte de Mandela está, naturalmente, a ser mais sentida na África do Sul. Mas as manifestações de pesar sucedem-se um pouco por todo o Mundo e, em especial, nas redes sociais da Internet através de várias citações, fotografias e vídeos que celebram o primeiro presidente negro da África do Sul, que aos 95 anos, morreu como símbolo internacional da liberdade, democracia e tolerância.

As manifestações de pesar deverão manter-se ao longo dos próximos dias. A data oficial do funeral de Mandela ainda não foi revelada, mas, de acordo com informações oficiais, é de esperar que as cerimónias fúnebres se prolonguem por pelo menos duas semanas, devendo tornar-se no maior evento jamais realizado no país que, em 2010, recebeu o Mundial de futebol da FIFA – um evento a reboque do qual Mandela recebeu pessoalmente em casa uma delegação portuguesa que incluía Cristiano Ronaldo e Carlos Queiroz.

Algumas notícias dão conta de que as cerimónias fúnebres vão incluir eventos públicos e privados. Uma das hipóteses avançadas, mas não confirmada, indica, entretanto, que o corpo de Mandela será transladado para um hospital militar de forma a ser embalsamado, podendo ser realizada também uma cerimónia no estádio Soccer City, em Joanesburgo, palco da final do Mundial há três anos e que deverá reunir alguns dos maiores líderes políticos mundiais e variadas personalidades dos mais distintos quadrantes.

A derradeira cerimónia fúnebre, por desejo do próprio Mandela, deverá acontecer na pequena aldeia de Qunu, onde o Nobel da Paz viveu parte da infância.