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Annemarie Jacir: "Tarek quer ir para casa e essa é a história palestiniana"


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Annemarie Jacir: "Tarek quer ir para casa e essa é a história palestiniana"

“When I saw You” (em português “Quando te vi”) tem sido descrito como uma visão romântica do movimento armado fedayeen, criado depois da ocupação israelita dos territórios palestinianos em 1967. Uma crise que originou uma onda de refugiados, como o pequeno Tarek, protagonista.

O filme foi escrito pouco antes da Primavera Árabe, quando a realizadora palestiniana, Annemarie Jacir, pressentia a mudança no ar e garante que este filme também faz uma crítica.

“Sabemos que este movimento não ficou sempre assim, transparente, puro. Houve muita corrupção depois. Portanto, é uma mistura de romantismo com crítica. Crítica da nossa liderança. Por que é que não permaneceram puros, como o Tarek? O Tarek quer ir para casa e essa é a história palestiniana”, explica a realizadora.

O filme ganhou prémios nos festivais de Amiens, Berlin e Abu Dhabi e está em competição no Festival do Cinema Mediterrânico, em Bruxelas, de 5 a 12 de Dezembro.

Annemaria Jacir realizou-o durante um programa de tutoria, que junta jovens promissores com nomes consagrados em várias artes.

“A Rolex Mentor Artes e Iniciativa é uma grande iniciativa na qual eu tive muita sorte de participar. Trabalhei em parceria com o grande realizador chinês Zhang Yimou ao longo de um ano, sendo orientada por ele. Tive oportunidade de conhecer grandes nomes de outras áreas: na música, no teatro. Tudo está relacionado, especialmente no cinema sentimos a relação entre várias artes”.

“Quando te vi” foi candidato, em 2013, ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Co-fundadora de uma produtora e curadora numa associação que promove filmes do mundo árabe, Annemarie Jacir quer mais histórias palestinianas a correr mundo.

“O cinema não é algo distante, em que as vidas de certas pessoas são importantes e as de outras não. Deve mostrar às pessoas que as suas histórias também são importantes, dignas de serem contadas. Vivo na Jordânia e por isso estou a trabalhar com os refugiados sírios. Há muita coisa a acontecer e gosto de estar ocupada”.

Em Bruxelas, o filme pode ser visto em sala a partir de 17 de Dezembro e chega depois ao Reino Unido, em Fevereiro.

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