Última hora

Última hora

Grécia: Valor do trabalho desce mas desemprego aumenta

Em leitura:

Grécia: Valor do trabalho desce mas desemprego aumenta

Tamanho do texto Aa Aa

Há cada vez mais trabalhadores no setor privado da Grécia a ganhar menos de 500 euros por mês, numa realidade, aliás, nada estranha a também a Portugal. Theodoros Anastasopoulos serve de exemplo ao caso grego.

Formou-se como bibliotecário há três anos, bem no pico da crise económica grega. Theodoros, porém, só encontrou trabalho numa empresa de estudos de mercado e anda na rua a fazer sondagens. “Dois anos depois de ter acabado o curso, encontrei este trabalho em ‘part-time’, em que ganhava entre 250 e 300 euros por mês”, contou-nos, acrescentando: “Como é óbvio, não posso alugar uma casa. Vivo com a minha mãe e a minha irmã. O dinheiro que conseguimos é para pagar a comida, as contas e as taxas.”

Outro exemplo é Anna Hatzioannidou. “Terminei o curso de arquitetura há alguns anos. Já enviei mais de cem currículos, mas apenas fui chamada a um par de entrevistas. Estou a trabalhar como fotógrafa, em ‘part-time’. Tiro fotografias em discotecas e bares. Ganho à volta de 240 euros por mês”, revela-nos Anna.

Os últimos dados revelados pelo ministro grego do Trabalho indicam que 20 por cento dos trabalhadores do setor privado ganham abaixo dos 500 euros mensais, a maioria em “part-time”. Oito por cento não vai além dos 600 euros. Para a maioria dos restantes 72 por cento, os salários oscilam entre os mil e os dois mil euros por mês. O valor do trabalho, por conseguinte, continua a descer e o desemprego na Grécia a aumentar.

A queda do valor do trabalho, como se percebe, não ajudou o emprego e esta semana foi até anunciado um novo recorde na Grécia. A agência Elstat revelou que o desemprego chegou aos em 27,4 por cento. Só entre os jovens, já ultrapassa os 50 por cento.

A correspondente da euronews na Grécia, Symela Touchtidou, dá-nos ainda mais um dado para este problema. “Apesar de baixos, muitas vezes até estes novos salários gregos não chegam facilmente às mãos de quem trabalhou por eles. Um estudo da Federação Grega do Trabalho revela que pelo menos uma em cada duas empresas gregas está a pagar os salários com pelo menos um mês de atraso.”