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Irlanda liberta-se da Troika mas austeridade mantém-se

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Irlanda liberta-se da Troika mas austeridade mantém-se

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É uma prenda de Natal antecipada para a Irlanda. Mas com poucos efeitos na vida dos irlandeses. Conhecido pela cerveja Guiness e pela música dos U2, é com sucesso que o país fecha no domingo o programa de resgate iniciado com a Troika em novembro de dois mil e dez, quando se viu no meio de um turbilhão de problemas no setor financeiro, a reboque da crise mundial de 2008.

Em troca de um pacote de ajuda de 85 mil milhões de euros, Dublin comprometeu-se a reduzir o défice para menos de três por cento até 2015. De pronto, a austeridade tomou de assalto os irlandeses. Mas o país uniu-se, deu a volta por cima e, em julho deste ano, estava de volta aos mercados, para satisfação de Michael Noonan, o ministro das finanças da Irlanda.

“Os verdadeiros heróis e heroínas desta história são as pessoas da Irlanda, que sofreram com o aumento de impostos e os cortes drásticos nos serviços públicos”, enalteceu Noonan, em conferência de imprensa, alertando, contudo, que “este ainda não é o fim da estrada” de obstáculos para a Irlanda, embora seja “certamente uma etapa muito importante do caminho” em falta.

Com a Grécia ainda longe do sucesso e Portugal a poder seguir-lhe os passos já em junho, como programado, dos países europeus resgatados a Irlanda é o primeiro a libertar-se da Troika. Mas as dificuldades estão para durar, lembrou o ministro das finanças, explicando que é preciso manter o país na rota da estabilização da economia. O que leva um pequeno comerciante de Mullingar a desejar que o FMI continuasse na Irlanda.

“Ainda não vemos a luz ao fundo do túnel. Continuamos nas trevas. Ainda estamos a sofrer todo o tipo constrangimentos. Se o FMI ficasse talvez pudesse ajudar um pouco mais e forçasse algumas reformas a fazerem-se mais depressa. É isso precisamos de fazer”, defendeu o comerciante.

A saída do programa de resgate permite à Irlanda recuperar a independência total da sua economia e já não terá de prestar contas à Troika. Mas o processo de recuperação do país não terminou.

O desemprego, embora a descer, mantém-se alto: 12,5 por cento. O governo decidiu aumentar mais alguns impostos, por exemplo sobre o tabaco e álcool. Com o caminho que vem seguindo e a novas medidas, Irlanda prevê, para 2014, um crescimento na ordem de dois por cento.