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Mandela sepultado mantém-se farol da África do Sul

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Mandela sepultado mantém-se farol da África do Sul

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Corpo de Nelson Mandela já está no descanso eterno. Numa parte da cerimónia deste domingo de que não recebemos imagens, a urna com o corpo de Nelson Mandela foi depositada no cemitério da aldeia de Qunu, onde o Nobel da Paz de 1993 viveu os melhores momentos e onde entrou pela primeira vez numa escola. O descanso eterno de Madiba, como é popularmente conhecido pelo povo, será próximo de três dos seus filhos que viu morrer de forma precoce e aos quais agora se juntou.

Antes desta derradeira e privada parte, a cerimónia pôde ser filmada e transmitida em em direto pela euronews. Foi uma cerimónia de três fases que começou manhã cedo na casa da família de Mandela, em Qunu, e prosseguiu numa enorme tenda montada para o efeito próximo da aldeia, à qual o acesso foi limitado a 4500 pessoas, entre chefes de Estado, antigos governantes e personalidades de vários quadrantes.

Entre os ilustres convidados presentes, destacamos o Príncipe Carlos, de Inglaterra; Bill e Hillary Clinton, dos Estados Unidos; o empresário britânico Richard Branson, da Virgin; ou a apresentador de televisão americana Oprah Winfrey. Ausente desta segunda fase, pelo que se percebeu, esteve o arcebisbo anglicano sul-africano e grande amigo de Mandela, Desmond Tutu, que no entanto participou na terceira e derradeira fase da cerimónia.

A música foi uma constante este domingo. Vários discursos marcaram este derradeiro adeus a Madiba, com alguns, inclusive, a contribuírem para atrasar o programa previsto. Algumas mensagens foram dirigidas diretamente a Mandela, cuja urna repousava diante do palanque. Destacamos duas. A primeira, por Nani Mandela, uma das netas de Mandela.

“Vamos sentir a tua falta, ‘Tatum Kulu’. Vamos sentir a falta da tua voz firme quando não estavas contente com o nosso comportamento. Mas vamos dar continuidade, ao longo das nossas vidas, a tudo o que nos ensinaste. Vamos deixar-te orgulhoso. Como sul-africanos, temos de parar de apontar o dedo e fazer acusações. Temos, sim, de seguir o teu exemplo e fazer algo de positivo pela África do Sul”, afirmou Nani Mandela.

O presidente Jacob Zuma, outro dos oradores, não foi tão apupado como tem sido sempre que puxou da palavra em público nos últimos dias, mas ainda ouviu alguns assobios quando foi chamado ao palanque. Antecedido por um excitado chefe tribal, que já no memorial do estádio Soccer City, na terça-feira, se havia destacado, o presidente Zuma iniciou o seu discurso a cantar e rapidamente conquistou a plateia. Depois dirigiu-se, também ele, ao camarada do ANC, de quem se despediu.

“Agradecemos-te por teres dedicado a tua vida a construir esta livre e democrática África do Sul, em que todos podemos viver em igualdade e com dignidade. Uma coisa que te podemos garantir hoje, à medida que dás estes derradeiros passos, é que a África do Sul vai continuar a crescer”, garantiu o presidente da África do Sul, a cerca de cinco meses de novas eleições, as quais, com o ANC cada vez mais criticado e vinte anos após Mandela ter colocado um fim no Apartheid, podem conduzir o país a uma nova era política. Mandela estará à espreita e continuará a proteger o povo, acreditam os sul-africanos.