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O'Toole: o maior perdedor de óscares

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O'Toole: o maior perdedor de óscares

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Durante a longa carreira, a estatueta de melhor ator escapou várias vezes a Peter O’Toole. Mas o ator irlandês falecido no sábado, ao 81 anos, teve o privilégio de ser distinguido pela academia com um prémio especial, o óscar honorário.

No início o ator quis recusá-lo dizendo que ainda poderia ganhar um óscar mas acabou por aceitá-lo, durante uma cerimónia em 2003 em que fez um discurso memorável:

“Fui sempre madrinha de casamento, nunca fui noiva. Agora tenho o meu próprio óscar que ficará comigo até que a morte nos separe. Quero que a academia saiba que me sinto encantado e honrado. A magia do cinema capturou-me quando era criança, e à medida que passo a fazer do mundo dos antigos continuo preso a essa magia”, disse o ator.

O’Toole tornou-se conhecido mundialmente ao incarnar o papel principal em Lawrence da Arábia. O filme de David Lean ganhou sete óscares.

O óscar escapou-lhe mas ao longo da carreira O’Toole ganhou quatro Globos de Ouro, um BAFTA e um Emmy.

Em 2012, Peter O’Toole resumia assim a relação entre o ator e obra:

“Com os argumentos e com as peças de qualidade, há uma alquimia extraordinária. Olho para a tinta na folha de papel, a tinta chega ao olho e atinge o espírito e depois sai pela boca. Para o ator, as grandes obras estão vivas, no papel, elas estão vivas para a sensibilidade do ator”, explicou O’Toole.

O ator irlandês não se ficou pela cinema, fez também televisão e pisou várias vezes o palco. O’Toole sempre disse que foi graças ao teatro que adquiriu experiência na arte da representação.

Nas últimas décadas da vida, a saúde do ator degradou-se devido à vida boémia e ao consumo de alcóol. Mas sobreviveu a um cancro no estômago em 1970 e só abandonou a profissão poucos meses antes da morte.