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Ucrânia dividida entre Bruxelas e Moscovo

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Ucrânia dividida entre Bruxelas e Moscovo

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As manifestações em Kiev continuam e a Ucrânia permanece no centro de iniciativas diplomáticas.

O presidente ucraniano Viktor Ianukovich encontrou-se no domingo à noite com o senadores norte-americanos John McCain e Chris Murphy, respetivamente dos partidos republicano e democrata.

De acordo com a administração da presidência ucraniana, “Ianukovich assegurou que o governo fará todo o possível para garantir o direito dos cidadãos a manifestarem-se pacificamente, assim como para conduzir um inquérito honesto e transparente sobre os acontecimentos ocorridos na Praça da Independência no passado dia 30 de novembro”, quando a polícia usou da força contra a manifestação pacífica.

Os dois políticos norte-americanos participaram na manifestação pró-União Europeia de domingo em Kiev, num sinal de apoio dos Estados Unidos aos postulados da oposição, enquanto noutro local da capital ucraniana decorria outra manifestação, de apoio a Ianukovich.

Hoje em Bruxelas, antes da abertura da reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia, a chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, frisou que há ainda um caminho a fazer com o governo ucraniano.

Manifestando a preocupação de Bruxelas “quando vemos algumas das coisas que foram ditas”, Ashton explicou que no encontro com o presidente ucraniano em Kiev quis perceber “quais as contingências económicas que o afastaram da assinatura” do acordo com a UE, ressalvando que continua a acreditar que “podemos trabalhar com ele para encontrar soluções”.

Depois de ter reunido no domingo em Kiev pelo menos 200 mil pessoas, o protesto contra a união aduaneira com a Rússia mantém-se, assim como as tendas e as barricadas erguidas pelos manifestantes na Praça da Independência, apesar da neve e do frio.

Inquieta nas vésperas do encontro de terça-feira do presidente ucraniano com Vladimir Putin, a oposição ucraniana acusa Ianukovich de aceitar uma proposta russa que alegadamente serve de camuflagem ao plano de Moscovo de reconstituir a União Soviética.

Os protestos começaram no dia 21 de novembro, depois de Ianukovich ter anunciado que desistir da assinatura do acordo previa o reforço de laços comerciais e políticos com a Europa comunitária, para privilegiar o acordo aduaneiro proposto por Vladimir Putin, e que envolve também a Bielorrússia, o Cazaquistão. A intervenção violenta da polícia no dia 30 de novembro, com a intenção de dispersar a manifestação pacífica, veio provocar uma adesão ainda maior aos protestos.

Ianukovich explicou a decisão de rejeitar o acordo com Bruxelas argumentando que a UE não oferecia à Ucrânia, a braços com uma situação económica difícil, uma contrapartida financeira que compensasse as potenciais perdas comerciais decorrentes da não adesão à união aduaneira promovida pela Rússia.