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Cuba gera revolução no mercado automóvel da ilha

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Cuba gera revolução no mercado automóvel da ilha

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A peculiar estética do tráfego automóvel em Cuba, que se baseava em modelos muito antigos, deverá revolucionar-se e modernizar-se nos próximos tempos. O governo de Raul Castro acaba de anunciar a liberalização do comércio automóvel na ilha, abrindo, inclusive, a porta à livre importação de veículos novos ou usados e pondo, assim, fim a restrições impostas há cerca de 50 anos.

Através do jornal Granma, a Gazeta Oficial do governo, o executivo de Havana fez saber esta quinta-feira que o Conselho de ministros aprovou um conjunto de “novas normas jurídicas que vão sustentar a nova política para a importação e comercialização de veículos a motor”. Essas novas normas, é acrescentado no jornal, “serão publicadas durante os próximos dias na Gazeta Oficial.”

O comércio automóvel em Cuba vai, desta forma, ser possível entre todos os cubanos sem necessitade de autorização prévia como até aqui. Como referência de preço, mantém-se os valores de mercado estabelecidos em outubro de 2011, quando foi implementada a permissão, sob autorização prévia, da transferência de propriedade entre cidadãos cubanos para veículos em segunda mão. “Essas ‘cartas de autorização’ revelaram-se inadequadas e obsoletas”, lê-se no Granma.

A abertura total do mercado automóvel é vista com bons olhos pelos cubanos, mas ainda assim há um senão, como nos explicou Jorge Canso. “Sim, é verdade, já podemos comprar um carro, mas com o quê? A nossa economia, infelizmente, não nos permite a todos poupar dinheiro e poder comprar um carro”, lamentou-se este cubano, prevendo que os carros poderão ser comercializados a “300, 400 ou 500 pesos (9,4 mil, 12,5 mil ou 15,6 mil euros)” e admitindo, ainda assim, que talvez se consgiga possível “fazer algum sacrifício.”

Mais satisfeitos com esta abertura do comércio automóvel em Cuba estão os motoristas de táxis. Para Rolando de la Vega, “é ótimo poder-se comprar os carros sem ter de pedir autorização”. “Estamos a modernizar o sistema. Porque, para ser honesto, estes carros que temos estão a desfazer-se. Somos taxistas, mas os nossos carros estão em muito mau estado”, admitiu De la Vega.

Com o natural aumento dos impostos recebidos pelo natural crescimento do comércio automóvel, após estas medidas, o governo de Raul Castro pretende criar um fundo especial cujo objetivo será o investimento na melhoria da rede de transportes públicos de Cuba.