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Acontecimentos mais importantes de 2013

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Acontecimentos mais importantes de 2013

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O ano de 2013 foi seguido connosco, dia após dia, através dos boletins noticiosos, reportagens, análises, trabalho de correspondentes no terreno, entrevistas a convidados prestigiosos.

Falámos de economia, protestos sociais, escândalos de espionagem, catástrofes e horrores da guerra. Acompanhámos as alternâncias de poder e as despedidas, como a de Nelson Mandela.

Propomos reviverem, em imagens e comentários, os grandes momentos de 2013.
Começamos com os novos personagens da cena internacional, que estiveram em destaque em todo o mundo. Chegaram e provocaram imediatamente uma nova dinâmica sociopolítica. Desde o novo Papa ao herdeiro do trono britânico, passando por Hassan Rohani. Eis os rostos que marcaram 2013:

No dia 13 de marco de 2013, o mundo esteve com os olhos postos na famosa chaminé, na Basílica de São Pedro, no Vaticano, à espera de fumo branco e da famosa expressão “Habemus Papam”.
Num dos mais breves conclaves da história da Igreja Católica, que demorou apenas 24 horas, escolheu-se no novo Sumo Pontífice, Francisco.
Pela primeira vez um cardeal da América Latina foi eleito Papa. Jorge Mario Bergoglio, de Buenos Aires, Argentina, assumiu o nome de Francisco em honra de São Francisco de Assis, o santo dos pobres.
Estava dado o mote do seu pontificado. Francisco assume a luta contra as desigualdades como uma prioridade e inicia uma reforma da Igreja.
Em junho de 2013 o clérigo moderado, Hassan Rohani, foi eleito presidente do Irão, com mais de 50 por cento dos votos.
Rohani sucedeu a Mahmoud Ahmadinejad. O resultado do escrutínio surpreendeu os analistas internacionais e significaram uma mudança política no Irão, oito anos depois de um governo conservador no país.
Hassan Rohani tem 64 anos e foi apoiado pelos setores moderado e reformista. Durante a campanha eleitoral, prometeu a recuperação económica e o aprofundamento das relações entre o Irão e os países ocidentais.
Dois meses depois de assumir a presidência, Rohani discursa nas Nações Unidas e assina, em Genebra, um acordo sobre o programa nuclear do país.

Em pleno verão, o Reino Unido vibrou com o nascimento do novo herdeiro ao trono britânico. O primogénito do príncipe William e de Kate Midletton, George Alexander Louis, nasceu a 22 de julho.

Com os olhos do mundo postos na na maternidade do hospital St. Mary de Londres, os jovens pais divulgam as primeiras imagens do pequeno príncipe que eles próprios tiraram.

Com três meses o príncipe George, o terceiro na sucessão ao trono de Inglaterra, foi hoje batizado com água do rio Jordão, numa cerimónia íntima, ao contrário das festas reais habituais. Apenas 22 convidados, incluindo a bisavó rainha Isabel II, de 87 anos, assistiram à cerimónia, na capela do palácio de Saint James, em Londres.

O terrorismo não poupou ninguém em 2013: 70 pessoas perderam a vida e centenas de outras ficaram feridas em dois acontecimentos espetaculares, um nos Estados Unidos e o outro em África, que visaram essencialmente civis. Foram os atentados da maratona de Boston e o ataque à bomba no centro comercial do Quénia.

Desde 1897, a Maratona de Boston é o principal evento desportivo da Nova Inglaterra, nos Estados Unidos da América. Este ano, a 15 de abril, a festa do atletismo ficou marcada pela tragédia.

Com milhares de pessoas na linha da chegada para aplaudir os atletas, duas explosões criaram o pânico. Três pessoas morreram e cerca de três centenas ficaram feridas.

Graças às câmaras de vigilância, as autoridades norte-americanas identificaram dois suspeitos de terem colocado mochilas com explosivos, no meio da multidão. Dois irmãos de origem chechena. Os dias seguintes foram de “caça ao homem”. Um acabou morto e o outro, Dzhokhar Tsarnaev, de 19 anos, tornou-se o “inimigo número um” dos Estados Unidos.

Tsarnaev estava gravemente ferido quando foi detido a 19 de Abril.

No Quénia, o centro comercial Westgate, em Nairobi, frequentado pela elite do país e por expatriados, foi alvo de um atentado terrorista a 21 de setembro.

Um grupo de islamitas radicais entrou no centro comercial e começou a disparar sobre homens, mulheres e crianças.

O ataque prolongou-se por quatro dias e foi reivindicado pelo grupo Al-Shabab, com ligações à Al-Qaida. O grupo islamita alegou estar, assim a vingar a intervenção militar do Quénia no sul da Somália, em finais de 2011. Do ataque ao Westgate resultaram 67 mortos, duas centenas de feridos e mais de 40 pessoas continuam desaparecidas.

As catástrofes têm sido primeira página de todos os jornais, fazem a abertura dos telejornais, são, cada vez mais, parte integrante da vida, apesar de serem notícia sempre que ocorrem. Em 2013 acompanhámos quatro acontecimentos deste tipo, alguns fenómenos naturais que apaixonaram o público, como o meteorito dos Urais.

Uma luz imensa ilumina o céu dos Urais, na Rússia, num dia frio de fevereiro. Dois minutos depois, ouvem-se três explosões. A onda de choque destrói os vidros das janelas do centro de Chelyabinsk: 1.200 pessoas ficaram feridas. Os traços de um meteorito desintegrado veem-se a 200 quilómetros de Chelyabinsk. Um fragmento de meia tonelada termina a viagem no lago gelado de Tcherbakoul. Depois do degelo, ele vai ser recuperado. Este fenómeno tem a probabilidade de se reproduzir uma vez por século.

Visto do espaço, o supertufão Haiyan é um monstro. Uma tempestade nunca vista. O Haiyan abateu-se sobre as Filipinas, varrendo tudo à sua passagem. Os ventos de 314 quilómetros por hora foram os mais violentos registados até agora. A onda gigante criada pelo tufão destruiu a cidade de Tacloban e afogou centenas de pessoas. As Filipinas enfrentam cerca de 20 tufões por ano mas o Haiyan, também chamado de Yolana, foi o vigésimo quarto e o mais mortífero.

Um comboio, lançado a alta velocidade, descarrila a escassas centenas de metros do destino, a estação de Santiago de Compostela, na Galiza. É o acidente ferroviário mais grave em Espanha nos últimos 40 anos: 80 mortos e mais de 150 feridos. A tragédia que ocorreu na linha de Alta Velocidade que liga Madrid à capital da Galiza revelou falhas no sistema de segurança.

20 meses depois do naufrágio, começa a operação para endireitar o Costa Concordia. Para mover as 115 mil toneladas do paquete de 300 metros foram precisas 19 horas à equipa de meio milhar de pessoas de 26 nacionalidades. A operação foi um alívio para os residentes da ilha italiana de Giglio e permitiu recuperar dois corpos que estavam desaparecidos. O Costa Concordia vai ser reparado para ser rebocado em 2014.

Não há ano sem que a guerra invada os ecrãs das televisões e as páginas dos jornais.
2013 ficou marcado por uma guerra suja que dizima os sírios, desta vez com armas químicas. Ficou também marcado pela falta de firmeza das potências, que primeiro ameaçaram e depois recuaram. E também uns ares de guerra fria com as denúncias que gelaram muitos governos no caso Snowden.

Em agosto de 2013, a Síria vivia em guerra há dois anos. Nada trava o regime de Bachar Al Assad. Nada permite a vitória dos rebeldes, infiltrados pelos jihadistas estrangeiros, nomeadamente do Hezbolllah e da Al Qaida.

No dia 21 desse mês, viveu-se o horror nos arredores de Damasco: um ataque com armas químicas semeou o terror e a morte. Mais de 1300 pessoas foram mortas, nomeadamente crianças. Foi utilizado gás sarin, um neurotóxico considerado arma de destruição em massa pelas Nações Unidas.

O mundo emocionou-se quando viu as imagens. Os ocidentais ameaçaram intervir militarmente. Os inspetores da ONU foram enviados ao terreno para recolher as provas da utilização destas armas e publicaram um relatório.
Ban ki moon:
“Esta foi a utilização mais significativa de armas químicas contra civis, desde que Saddam Hussein as lançou em Haladja, em 1988, e foi o pior ataque com armas de destruição em massa do século XXI.”

Mas há outro tipo de guerra: a NSA escuta-nos.
Eis o resumo que se impõe através do globo, depois de seis meses de revelações do caso Snowden.
Em junho de 2013, um jovem informático, ex-empregado da CIA e da NSA, Edward Snowden deflagrou uma bomba diplomática em todo o planeta.
Por intermédio dos Media, revelou informações classificadas como top secret, e detalhes de inúmeros programas em massa de vigilância americana.
Nos Estados Unidos, mas não só: em todo o mundo, foi tudo verificado pelos serviços secretos, internet, telefone, vulgares cidadãos e chefes de Estado.
Durante meses, todas as semanas fez um lote de revelações e criou problemas diplomáticos. Todos ficaram a saber tudo sobre quem foi espiado, de organização ou empresa.
Snowden queria que o mundo soubesse. Os Estados Unidos perseguiram-no: para uns é traidor, para outros é um herói. Não foi por acaso que, nesta reminiscência da guerra fria, a Rússia concedeu-lhe asilo político.

O reverso de um mundo globalizado, de uma economia sem fronteiras….novos movimentos sociais nascem nos países emergentes e, na rua, pedem contas ao poder: desde a classe média brasileira até ao exército de trabalhadores pobres do Bangladesh:
Mas também os que não têm nada a perder e tudo a ganhar, os imigrantes que procuram paz e prosperidade na Europa:

Não precisamos do Mundial de Futebol, queremos escolas e hospitais. A Taça das Confederações serviu de palco a milhares de brasileiros para protestar contra a despesa efetuada para organizar o Mundial de 2014 e os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro de 2016. As manifestações tiveram origem na classe média urbana emergente.

No Bangladesh é normal colocar a vida em risco por 30 euros mensais. 1127 operários da indústria têxtil morreram na sequência do desmoronamento do Rana Plaza, perto de Dacca. O edifício alojava fábricas que forneciam marcas de roupa ocidentais. Não foi a primeira vez que se produziu um drama semelhante mas esta tragédia despertou os trabalhadores e colocou as marcas perante as suas responsabilidades.

A vergonha do século XXI continua em Lampedusa: uma embarcação, com meio milhar de imigrantes africanos, naufragou ao largo da ilha italiana de Lampedusa. 150 pessoas conseguiram salvar-se mas a viagem terminou com 366 mortos, transformando-se na maior tragédia do mediterrâneo, este século.

Alguns eram rostos familiares, símbolos de continuidade e de estabilidade, próprio das monarquias. Outros, chegaram à mais alta função do Estado pela força do voto. Uns surpreenderam ao anunciar a partida por vontade própria, outros foram para sempre, deixando um vazio difícil de preencher. Destacamos quatro despedidas que marcaram o ano de 2013:

Bento XVI despediu-se depois de oito anos de pontificado, carga que se estava a tornar pesada para os seus 85 anos.
Foi o único papa que renunciou, em 598 anos. Nesta monarquia por eleição, inaugurou o título inédito de Sua Santidade Bento XVI, pontífice romano emérito. Apanhou o mundo católico de surpresa, e tornou-se um simples peregrino.

Na Holanda, a rainha Beatriz abdicou, depois de 33 anos de reinado, não por cansaço ou doença mas para rejuvenescer a monarquia.
Durante uma cerimónia solene, Guilherme Alexandre tornou-se no primeiro rei holandês, desde 1890. A seu lado, a rainha Maxima.

O rei dos belgas, Alberto II, seguiu a tendência e terminou 20 anos de reinado, marcado por inúmeras crises do governo. O filho, Filipe, Duque de Brabante, é agora o sétimo rei dos belgas. Matilde é a primeira rainha de origem belga na história do país.

Na Venezuela, Hugo Chávez caiu pela doença mas, antes, nomeou sucessor: Nicolas Maduro.
Depois de 13 anos da polémica presidência do discípulo de Castro, Maduro, insiste em fazer perdurar o chavismo nesta República boliveriana da América Latina.

A família, os sul-africanos e o mundo tiveram que se resignar e que se despedir de Nelson Mandela. Depois da homenagem no estádio Soccer City foi uma multidão em lágrimas que disse um último adeus a Madiba, o herói da luta contra o apartheid.

Com o adeus a Nelson Mandela, concluímos este resumo do ano, realizado pela redação da euronews. Mas a atualidade não se detém, tal como nós.

Contem com a nossa informação ao longo do novo ano, 24 horas sobre 24 nas 13 línguas da euronews.
Bom Ano de 2014.