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Ucrânia: A Leste, nada de novo

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Ucrânia: A Leste, nada de novo

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Nas últimas décadas, pouco mudou na envelhecida e muito poluída paisagem industrial da bacia de Donetsk. A extração de carvão e ferro, a metalurgia e a siderurgia representam cerca de 1/4 da economia ucraniana.

Na terra do presidente Ianukovich, onde os laços com a Rússia são umbilicais, a União Europeia é vista com muito receio e as opiniões são ambíguas.

“Não devíamos ir para a Europa com dívidas. É melhor que a Europa venha até nós”, afirma um trabalhador que provavelmente não sabe que a esperança de vida nesta região é de 57 anos, menos 9 anos do que a média nacional.

O comunismo de Lenine deu lugar ao novo capitalismo, que também chega de Moscovo, se bem que muitas vezes através de Chipre e da Holanda por razões fiscais.

O governador da região de Donetsk explica que “o capital russo está presente no marcado bancário” e que “há uma tendência para substituir a fuga de capitais europeus com capital russo”.

Nas minas e na metalurgia ganha-se em média 600 euros, cerca do dobro que no resto da Ucrânia, mas a vantagem é muitas vezes paga com a vida por causa dos inúmeros acidentes ligados a condições de trabalho que remetem para a Revolução Industrial.

“A União Europeia preparava um pacote de 19 mil milhões de euros para reformas e modernização, enquanto os 15 mil milhões da Rússia são para as pessoas que vão manter um sistema que, na sua essência, está esgotado”, resume um professor de história.

O sonho europeu dos ucranianos continua a esbarrar numa economia arcaica e no cordão umbilical com a Rússia que a Ucrânia não está em condições de cortar.