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Movimento de Gulen ameaça governo turco

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Movimento de Gulen ameaça governo turco

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O regime do primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, atravessa a maior instabilidade política desde 2003 quando assumiu o comando do país.

A erupção do mega escândalo de corrupção que envolve nome de ministros e líderes do governo deixou a imagem do chefe do partido islâmico, AKP, muito fragilizada.

Erdogan adotou uma forma agressiva para reagir às revelações que ameaçam a transparência de seu executivo e disse que não aceitava manipulações políticas nem complôs.

“Como eu já disse na cidade de Konya, está em curso uma operação suja “, informou o primeiro-ministro tentando tomar as rédeas do caso.

A investigação já determinou a demissão de três ministros e o afastamento de 70 altos responsáveis da polícia, que foram acusados de incompetência pelo próprio Erdogan.

O chefe do executivo turco atira as culpas para “forças ocultas” e sugere uma conspiração contra o seu governo sem citar nomes dos responsáveis. No entanto, todos os observadores políticos concordam que o poderoso movimento Hizmet do muçulmano Fethullah Gulen pode estar por trás das denúncias.

Gulen vive exilado nos Estados-Unidos desde 1999, mas os seus homens estão espalhados pelo mundo dos negócios, banca, média e educação. A confraria também gere diversas escolas privadas na Turquia e no resto do mundo, e tem uma grande influencia na política e justiça turca.

Muitos dos seguidores de Gulen fazem parte do partido AKP, mas a guerra entre Erdogan e os adeptos da confraria dura há vários meses, desde que o primeiro-ministro turco deu início a um projeto de abolição das escolas privadas na Turquia. A decisão remonta ao mês de novembro e provocou uma onda de protestos e demissão de dois deputados do partido AKP. A aliança entre o partido e a confraria que durava há mais de dez anos foi, desta forma, interrompida e deu lugar a uma onda de escândalos no governo.

A tensão e o sentimento anti-Erdogan levaram milhares de pessoas às ruas de Istambul no passado fim de semana. Uma manifestação contra a corrupção foi brutalmente dispersada pela polícia que usou gás lacrimogéneo contra a população.

Os seguidores de Gullen desafiam agora o poder de Erdogan junto da oposição, quando se aproximam as eleições municipais e presidenciais de 2014.