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Turquia: Erdogan resiste à pressão e fala em conspiração

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Turquia: Erdogan resiste à pressão e fala em conspiração

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O primeiro-ministro turco, Recep Tayyp Erdogan, voltou a insistir este sábado que não pretende demitir-se e falou de uma eventual conspiração com apoio internacional como estando na base da atual crise política na Turquia.

A Turquia, um dos países candidatos a entrar na União Europeia, está envolta em polémica devido a uma vaga de escândalos de corrupção que estalou há quase duas semanas, levando à prisão cerca de 50 pessoas, entre elas os filhos de três ministros, que, entretanto, se demitiram. Uma das consequências da investigação ainda em curso, e que incide sobre negócios petrolíferos pouco claros com o Irão, foi já uma acentuada remodelação do executivo de Erdogan com a entrada de 10 novos ministros.

Num comício do partido AK realizado em Manisa, no sudoeste da Turquia e onde esteve acompanhado pela mulher, o primeiro-ministro Erdogan disse aos apoiantes estar a ser vítima de uma conspiração e lançou suspeitas sobre os seus opositores políticos, deixando implícito o Movimento Gülen, mas não só.

“A Turquia está a ficar forte e os nossos adversários não conseguem digerir isso. Mas por detrás de tudo isto, estão forças internacionais. Há uma campanha de difamação lançada contra nós e, infelizmente, dentro do próprio estado está a formar-se um gangue criminoso, que faz espionagem e não respeita a privacidade”, afirmou Erdogan, sem poupar críticas a alguns elementos do sistema judicial turco e deixando no ar que poderá afastar alguns diplomatas estrangeiros que diz estarem envolvidos em alguns “atos provocatórios.”

De acordo com alguns meios de comunicação turcos, o procurador Muammer Akkas, que fazia parte da investigação em curso, foi afastado do caso e alguns oficiais da polícia foram transferidos à sombra deste escândalo.

Na capital, Ankara, houve, entretanto, mais uma manifestação a exigir a demissão do primeiro-ministro. Tal como na sexta-feira em Istambul, mas sem a mesma aparente gravidade, a polícia foi chamada a intervir para dispersar os manifestantes.

Também em Berlim, na Alemanha, onde reside uma grande comunidade turca, houve uma manifestação pela demissão de Erdogan. Tal como a União Europeia já o havia solicitado, o governo germânico, pela voz do novo ministro dos Negócios Estrangeiros, apelou ao governo turco para resolver com transparência o escândalo de corrupção que está a abalar o país.

“Confiamos na força do estado turco para esclarecer as suspeitas de corrupção que estão em cima da mesa, independentemente das pessoas envolvidas”, afirmou Frank-Walter Steinmeier, em declarações ao jornal alemão Bild publicadas neste mesmo sábado.