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Rússia: Volgogrado de luto e sem festa para receber 2014

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Rússia: Volgogrado de luto e sem festa para receber 2014

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O ambiente em Volgogrado está muito longe daquele que seria de esperar para uma passagem de ano. Para pior. Mas o caso não é para menos. A cidade foi alvo de dois atentados terroristas em dois dias seguidos, domingo e segunda-feira, e as feridas abertas pelos mais de 30 mortos e cerca de feridos registados estão ainda, naturalmente, bem vivas na população, que se têm deslocado aos locais das tragédias para depositar flores e lembrar as vítimas.

Poucos habitantes de Volgogrado conseguem falar dos atentados. “É difícil” diz-nos uma russa, acrescentando de forma parca e emocionada: “Nascemos e crescemos aqui, nunca nada assim aqui tinha acontecido.”

O Kremlin decretou o estado de de alerta em Volgogrado até sexta-feira, 3 de janeiro. A cidade está a 900 quilómetros de Moscovo e a outros tantos de Sotchi, no sul, onde em fevereiro vão decorrer os Jogos Olímpicos de Inverno. Distâncias que para os portugueses são “gigantes”, mas que para os russos são preocupantes face à gravidade dos dois recentes atentados.

Foi montada em Volgogrado uma operação antiterrorista denominada “Tornado”. Mais de 5000 polícias e agentes do Ministério do Interior foram deslocados para a cidade onde ocorreram os atentados. Em consequência de buscas e de controlos mais apertados, as autoridades russas revelaram que cerca de 90 pessoas foram detidas, houve várias armas apreendidas, mas não há notícias de terem encontrado qualquer pista relacionada quer com o atentado de domingo na estação de comboios quer com a bomba que explodiu no autocarro na segunda-feira.

Entre os habitantes de Volgogrado, cresce a suspeição sobre as pessoas que vivem na cidade e são originárias do Cáucaso do Norte. Nessa região há vários grupos “jihadistas” a operar ligados à Chechénia e sobre os quais há desconfiança da autoria dos planos para ambos os atentados.

Por decisão do Comité Antiterrorista, os festejos oficiais de passagem de ano foram cancelados em Volgogrado. O governo regional apelou aos habitantes para evitarem recorrer a fogos-de-artifício nas celebrações particulares da entrada em 2014.