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Grécia preside Conselho da UE contra vontade da população

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Grécia preside Conselho da UE contra vontade da população

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Ano novo, presidência nova no Conselho Europeu. Depois da Lituânia, é a vez da Grécia tomar as rédeas do Conselho. Com a economia e as políticas sociais arrasadas, a Grécia, vai presidir as reuniões dos ministros da UE nos próximos seis meses. O governo grego prometeu reduzir o orçamento deste mandato, o objetivo é manter os custos de todos os eventos do Conselho abaixo dos 50 milhões de euros. No entanto, os gregos estão dececionados e não acreditam nos benefícios da presidência na UE.

“Primeiro temos de nos preocupar com as reformas internas e só depois olhar para fora”, comentou um eleitor nas ruas da Atenas.

“As pessoas estão fartas de todas estas coisas, os deputados ganham 10 mil euros por mês e nós ganhamos 500 euros”, observou.

A lutar contra a recessão e a austeridade imposta pela troika nos últimos anos, a Grécia perdeu parte da sua independência e vai presidir o Conselho num momento em que as decisões políticas cruciais do país têm de ser tomadas em conjunto a Europa.

Do ponto de vista interno, os acordos com a UE e o FMI terminam em Abril e a Grécia vai precisar de um terceiro pacote de ajuda. Receber um novo resgate significa mais medidas de austeridade e a permanência da troika no país, mas ainda há alguma esperança que isso possa ajudar a Grécia levantar-se.

“Estamos numa discussão recorrente sobre os vários tópicos do terceiro resgate, mas posso dizer que este vai ser diferente dos anteriores. Vai conter novas obrigações para o país e, eventualmente, vai fomentar um crescimento económico para os anos de 2015 e 2016”, explicou o analista económico, Panayotis Petrakis.

Até pode trazer melhorias, mas os gregos estão cansados de sofrer cortes nos salários e de ver o desemprego atingir novos recordes. Mais austeridade pode colocar em risco a coligação do governo e forçar eleições antecipadas durante a presidência do Conselho europeu.

Na Europa, a Grécia terá de supervisionar a implementação da União Bancária, que pretende criar soluções para o crescimento económico e combater o desemprego.

A euronews falou com o vice-primeiro-ministro grego, Evangelos Venizelos, sobre os desafios dos próximos seis meses.

Vice-primeiro ministro, Evangelos Venizelos, seja bem-vindo à Euronews. A partir de hoje, a Grécia vai assumir o comando do Conselho da União Europeia. A vossa presidência irá durar apenas quatro meses até às eleições do Parlamento Europeu em Maio. Como é que se consegue cumprir uma agenda num período de tempo tão curto?

Evangelos Venizelos: É uma grande oportunidade para a Grécia se apresentar como estado igual e soberano da União Europeia capaz de representar 28 estados-membros e conduzir os interesses do Conselho.

Queremos uma nova narrativa para a Europa e para isso temos de apostar num discurso mais atraente para os cidadãos europeus, mais otimista para as famílias, mas também para a nova geração. Em muitos países, a UE é associada a austeridade, desemprego e salários baixos.

Temos de devolver à Europa um pensamento de cultura, da civilização, da história, do Estado de Direito e Estado de providência. Um discurso de crescimento Europeu, inovador e de pessoas conscientes da história em comum e com o único objetivo de prosperidade para todos.

euronews: Recentemente houve um acordo da união bancária. Enquanto isso, a Grécia está sob risco do terceiro pacote de ajuda económica da UE. Como é que se sente à beira do terceiro resgate?

Evangelos Venizelos: É muito importante que tenha sido tomada a decisão da União Bancária, mas nem o mecanismo de vigilância único nem o mecanismo de compensação único são suficientes. É preciso haver um mecanismo de garantia de depósitos para evitar que a carga fiscal caia sobre os países do Sul da Europa, que são obrigados a pagar juros muito altos só porque os países do Norte oferecem mais segurança nos depósitos bancários.

A Grécia está a lutar para sair da crise e dos memorandos da troika. Nos últimos três anos e meio, alcançamos o maior ajustamento fiscal da história da economia ocidental. Começamos em 2009 com um défice primário de 12%. Agora temos um saldo primário de cerca de 6.5% sem ter em conta os resultados circunstanciais da recessão. Somos o país da Europa com melhores resultados fiscais e um dos melhores do mundo.

Temos uma boa parceria com os restantes estados-membros e discutimos abertamente com o FMI e o Banco Central Europeu sobre as melhores soluções para sairmos desta crise. Ninguém perde com isso, todos são beneficiados e nenhum contribuinte europeu vai dar um euro à Grécia.

euronews: O crescimento e o desemprego estão na agenda da presidência grega. Como é que vocês pretendem tratar estes pontos?

Evangelos Venizelos: Vamos trabalhar em conjunto com a Comissão Eurpeia, que é a chave instrumental da Europa, e com o Banco de Investimento Europeu, de modo a criar uma rotação necessária para os estados membros. O programa de recuperação económica a que nos propomos não interessa só aos países em crise. Toda a Europa precisa de um novo modelo de produção, crescimento e competitividade para escapar ao perigo da recessão ou, em alguns casos, escapar do crescimento próximo do zero.