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Compra da totalidade da Chrysler pela Fiat gera controvérsia

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Compra da totalidade da Chrysler pela Fiat gera controvérsia

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Está decidido: Vem aí, tudo indica, o sétimo maior grupo automóvel do mundo, mas nem todos o veem da mesma forma. A italiana Fiat, que já detinha quase 60 por cento Chrysler, anunciou a compra da parte em falta (41,6 por cento) da companhia norte-americana, num negócio avaliado em 4,35 milhões de dólares (3,15 milhões de euros) e que deverá levar ao lançamento de novos modelos que juntem as engenharias de ambas as marcas.

O negócio, por si só, permite aos italianos adquirir por completo um grupo que, ao contrário da própria Fiat, aumentou em 16 por cento as vendas de 2013 face ao ano anterior. No mesmo período, as vendas dos italianos caíram 5,8 por cento.

Para Cesare Pozzi, professor universitário de gestão, em Roma, esta jogada da Fiat “pode revelar-se uma oportunidade”. “Este tipo de fusão não vai fazer muitos vítimas pelo caminho porque ambas as companhias atravessavam grandes dificuldades. O sector automóvel, entretanto, está a sofrer uma profunda reestruturação e, agora, é possível que haja espaço para um único projeto industrial que junte italianos e norte-americanos.”

Nem toda a gente, porém, está otimista em relação a este negócio. Para alguns analistas, a compra da totalidade da Chrysler pela Fiat poderá vir apenas a agravar as dívidas dos italianos. Oliver Roth, do banco Close Brothers Seydler, por exemplo, descreve esta aquisição como a soma de “zero com zero”, dadas as situações complicadas de ambos os grupos, e sublinha que “o resultado, claro, é zero.”

“A Fiat tem grandes problemas e está a tentar livrar-se deles com esta aquisição total da Chrysler, que apresenta bons resultados de vendas no mercado automóvel atualmente em expansão nos Estados Unidos. Mas só isso não vai ajudar a Fiat. Eles vão ter de criar novos produtos, novos carros e não o fizeram para 2014. Estão já a olhar, sim, para 2015. A crise do setor automóvel, contudo, mantém-se na Europa e, se esta é de facto uma boa jogada da Fiat, isso ainda está por provar”, defende Oliver Roth.

Seja como for, a verdade é que o negócio fez disparar as ações da Fiat, que valorizaram esta quarta-feira, em Milão, mais de 16 por cento. Não é claro, contudo, que o grupo italiano consiga concretizar o plano traçado de equilibrar a folha de despesas em 2016. Mas, pelo menos, a Fiat dá mostras de o estar a tentar e, como sublinhou, sem colocar sobre a mesa a hipótese de fechar fábricas e cortar postos de trabalho. Em perspetiva, de acordo com alguns rumores, está a aposta da marca italiana em passar a produzir jipes – uma das imagens de marca da chrysler – e uma nova linha da Alfa Romeo destinada aos mercados asiático, sulamericano e, claro, aos Estados Unidos.