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Cuba celebra aniversário comunista e impõe novas regras

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Cuba celebra aniversário comunista e impõe novas regras

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Há um jogo de vídeo que está na moda e que simboliza o paradoxo da sociedade cubana. Todos os jovens o conhecem e a modernidade deste 3D, para perpetuar os heróis da revolução, serve a história de Fidel e Che e o golpe que derrubou Batista.

O culto da revolução e dos seus heróis continua bem presente em todas as Caraíbas, principalmente nesta ilha, bastião do comunismo no mundo, há 55 anos.
No primeiro dia de janeiro de 1959, Fidel entrou em Havana com o seu exército.

O irmão de Fidel, Raul Castro, que herdou o poder, em 2008, presidiu às cerimónias de aniversário, este ano, glorificando o espírito da revolução que também liderou militarmente, e as mudanças em geral:

“O programa da revolução será atualizado de cinco em cinco anos para responder aos verdadeiros interesses da população, continuar o processo de desenvolvimento e de crescimento da democracia social e corrigir os erros que ocorrerem”.

Este é o desafio de Cuba há uns anos: reformar tudo, mantendo a herança ideológica. Mas enquanto as reformas políticas estão em fogo lento, as reformas económicas têm-se acentuado, recentemente. A crise obriga os cubanos a abrir o mercado aos investidores.
Gradualmente, notam-se os efeitos. O número de pequenas e médias empresas está a aumentar e já há 400 mil cubanos a trabalharem por conta própria.

Uma das inovações mais esperadas foi o anúncio de autorização governamental para importar automóveis, necessidade tanto mais evidente quantos mais veículos americanos dos anos 50 acabaram mesmo por deixar de funcionar.

Rolando de la Vega, taxista, saúda a medida:

É ótimo que possamos comprar viaturas sem autorização, que modernizem o sistema. Para ser honesto, os carros estão a cair em bocados. Somos motoristas de táxi, mas os carros estão num estado lastimável.”

Mas as mudanças não são ainda as esperadas. No dia 1 de janeiro terminou o prazo imposto aos vendedores ambulantes para liquidarem a mercadoria. O Estado considerou que a concorrência destes mercados de roupa estrangeira barata era nociva.

Yordany Diaz, vendedor, não sabe o que fazer à vida:

“Temos de pensar no que vamos fazer. Talvez encontrar um emprego, fazer qualquer coisa, não podemos viver sem emprego. Pensámos que iam adiar, dar-nos licenças, qualquer coisa, mas não mudou nada, ninguém fez nada.”

Entre os muitos desafios a enfrentar, a unificação das suas duas moedas (peso tradicional e peso convertível) é um dos mais urgentes. Um processo que, segundo os analistas, pode prolongar-se por três anos mas tem de ser feito para evitar a inflação em Cuba.