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Rebeldes sírios divididos pelos radicais do Daash

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Rebeldes sírios divididos pelos radicais do Daash

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Com a Síria a ferro e fogo, o presidente Bachar El Assad tem ultimamente razões de satisfação, com a oposição fragmentada e envolvida em confrontos cada vez mais radicais entre as várias facções.

O regime só tem a ganhar com as divisões entre os rebeldes, que receiam agora um novo inimigo – as brigadas do Daaash, Estado Islâmico do Iraque e do Levante, organização que ganha em força e se tornou num pesadelo para a restante oposição.

Vindo do Iraque, o Daash integra nas suas fileiras mercenários bem armados de várias nacionalidades, árabes de países da região, mas também outros muçulmanos de países asiáticos, africanos e até europeus, radicais e com experiência de guerrilha noutros conflitos – na Bósnia, Afeganistão, Chechénia, Iraque e Líbia.

Apostados em dissolver as fronteiras entre o Iraque e a Síria e instaurar ali um Estado islâmico, os guerrilheiros do Daash são liderados por Abu Bakr al-Baghdadi, considerado um dos mais perigosos terroristas do mundo, ligado à Al-Qaeda no Iraque. Estão determinados a impôr-se pela violência, o que lhes retira também o apoio das populações. Segundo Tarek Abud, analista político, “Se por um lado, eles eram combatidos pelo Exército Sírio, por outro têm uma relação de facto muito má com os habitantes. Por exemplo, passeiam-se pela rua com cinturões de bombistas-suicidas. Não estão em condições por isso de obter apoio dos habitantes que os receiam.”

Acusados de torturas e assassinatos, suscitam a revolta dos habitantes, alarmados com o crescendo de terror nas àreas controladas pelo Estado Islâmico do Iraque e do Levante. É uma nova guerra que está a crescer dentro da insurreição que começou em Março de 2011 e que altera profundamente a situação na Síria. No intuito de expulsar esta nova ameaça, vários ramos rebeldes procuram uma coordenação de forças. é o caso do exército dos mujahedins, que agrupa cerca de oito grupos islamistas.

Esta revolução começou por pertencer ao Exército Sírio Livre do general Salim Idris, que os países ocidentais contavam se capaz de afastar o presidente sírio, mas que tem vindo a perder força e começa a perder protagonismo. Um grave erro do Ocidente, segundo Saad Al-Muttalibi, especialista em anti-terrorismo, que considera que “Infelizmente, o ocidente tomou dicisões políticas erradas no que diz respeito à Síria e com isso reforçou as guerrilhas do Daash, dando-lhes assim a chance de se tornarem uma séria ameaça para o mundo”

O conflito entretanto começa a alastrar fora de fronteiras sírias, com o recente atentado no Líbano já reivindicado pelo Estado Islâmico do Iraque e do Levante e um recrudescer da ofensiva contra o governo no Iraque. Tudo indica que se instalou um círculo viciso, com os moderados do Exército Sírio Livre a perder terreno e assim com cada vez menos chances de convencer o ocidente a fornecer-lhe armamento.