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Purga na polícia turca

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Purga na polícia turca

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A Turquia está ainda sob o efeito do braço de ferro entre o aparelho judiciário e o governo, depois da detenção, em dezembro, de dezenas de personalidades, por alegado envolvimento em casos de corrupção, fraude e branqueamento de dinheiro.

Depois da série de detenções que atingiram o círculo próximo do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan, e que colocaram em prisão domiciliar os filhos de três ministros e várias figuras de primeiro plano do partido no poder, está em curso uma autêntica purga no aparelho policial.

Enquanto o primeiro-ministro denuncia aquilo a que chama uma operação suja levada a cabo por um Estado dentro do Estado, o seu partido quer fazer aprovar uma lei que daria ao governo maior decisão sobre a nomeação de juízes e procuradores.

Ao mesmo tempo, o procurador de Istambul Zekeriya Öz, figura de proa da investigação sobre corrupção, acusou Erdogan de ter enviado dois juízes para o pressionarem a abandonar a investigação.

Entre os responsáveis policiais afastados dos seus postos, está o chefe da polícia em Ankara, Huseyin Capkin, um dia depois de 350 dos seus funcionários terem sido deslocados ou despedidos.

Sacudido pelo escândalo, o executivo não conseguiu fugir uma profunda remodelação, com Erdogan a afastar mais de metade dos seus principais ministros, ao mesmo tempo que um dos procuradores responsáveis pela investigação de corrupção denunciou a polícia de recusar a detenção de políticos do partido no governo.

Segundo Ihsan Yılmaz, politólogo turco, Professor na Universidade de Fatih, em Istambul, “se os procuradores não conseguirem provar nada, se não tiverem provas para apresentar, então perdem. Mas o governo não soube esperar, entraram em pânico. Decidiram muito simplesmente deslocar ou substituir os procuradores, começaram a substituir também os chefes de polícia, o que mostra que estão apostados em interferir no caso”.

Erdogan acusa a justiça, os média e os seus rivais políticos de mover um complô contra o país. Um complô que estaria a ser orquestrado a partir do estrangeiro.

Num discurso aos seus apoiantes, o primeiro-ministro endereçou em aviso aos procuradores. Lembrando que “a soberania nacional não pertence ao aparelho judiciário, nem ao governo, mas à nação”, Erdogan frisou que “se o aparelho judiciário quiser tomar em suas mãos a soberania, ignorando a vontade nacional, os juízes vão ter de ser julgados por isso”.

Assim, seis meses depois das grandes manifestações que desafiaram o poder, este escândalo trouxe mais uma vez os turcos para as ruas e começa a ameaçar seriamente o futuro político do primeiro-ministro, que se preparava para apresentar a sua candidatura às presidenciais de agosto de 2014. Tudo isto, enquanto a economia turca apresenta sinais de queda, podendo vir a ressentir-se da instabilidade política.