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Pressão eleitoral e austeridade marcam presidência grega da UE

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Pressão eleitoral e austeridade marcam presidência grega da UE

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A deslocação da Comissão Europeia, esta quarta-feira, a Atenas, para uma cerimónia oficial, marca a abertura efetiva da presidência da União Europeia a cargo da Grécia.

Iniciada formalmente a 1 de Janeiro e com término a 31 de Junho, a presidência grega deverá centrar-se no crescimento económico, emprego, imigração e política marítima da UE, de acordo com as prioridades enunciadas pelo primeiro-ministro Antonis Samaras.

Um semestre que é visto com muita expetativa pelo facto da Grécia ser o país da zona euro em maiores dificuldades, desde que pediu a assistência da troika, em 2010.

A marcar esta presidência está também o esforço para combater o euroceticismo até às eleições europeias, no final de Maio.

Sobre estes temas, o correspondente da euronews em Bruxelas, Rudolph Herbert, entrevistou Jan Techau, diretor da secção europeia do centro de estudos Carnegie.

Rudolph Herbert/euronews (RH/euronews): “A Grécia assumiu a presidência rotativa da União Europeia. O que vai acontecer? Devemos todos poupar dinheiro ou contrair dívidas sem hesitação, como fez o governo de Atenas?

Jan Techau/director Carnegie Europe (JT/diretor CE): “Todos devemos poupar dinheiro porque na Europa se tem vivido, nas últimas três ou quatro décadas, bastante acima dos nossos meios e de uma forma sistemática. Agora sentimos o efeito de forma muito clara. A crise do euro é, em parte, uma crise da dívida, mas não apenas isso. A questão que se coloca é saber como podemos fazer poupança sem, ao mesmo tempo, sufocar totalmente a economia. E conseguir ainda obter o capital político para realizar as reformas que tornam os nossos países mais competitivos e que criam novos empregos”.

RH/euronews: “A chanceler alemã Angela Merkel quer contratos sobre as reformas que possam tornar a Europa mais competitiva…”

JT/diretor CE: “É um conceito tipicamente alemão. Baseia-se na crença de que se houver um contrato, ou outro instrumento legal, então isso terá automaticamente um efeito político. Mas os Estados-membros da UE têm-se, muitas vezes, comprometido com reformas políticas e económicas, assinado vários documentos, mas depois não cumprem as obrigações”.

RH/euronews: “Como podemos construir a zona euro de forma mais dinâmica?”

JT/diretor CE: “No final das contas, passa por ter a consciência de que todos temos mais a perder com a crise do euro se não cooperarmos. É uma espécie de aprendizagem através do sofrimento. A questão é saber se do atual sistema advém sofrimento suficiente que leve à execução das reformas, ou se a Europa – que começa a registrar algumas melhoras – vai abrandar os seus esforços”.

RH/euronews: “Em maio vão decorrer as eleições europeias e já é claro que os partidos populistas e anti-europeus vão ter importantes resultados. Como convencer os cidadãos de que a Europa continua a ser aliciente?”

JT/diretor CE: “Há sempre duas maneiras de convencer os cidadãos. Em primeiro lugar, criando valor acrescentado e foi criado um político que trouxe coisas boas. Penso que é um lado da UE que não deve ser escamoteado. A outra opção é deixar que os cidadãos participem mais no sistema político. Os cidadãos da Europa sentem que não fazem parte do sistema, que não participam no processo de tomada de decisões feito nas mesas de negociação”.

RH/euronews: “Sim, mas como fazê-lo?”

JT/diretor CE: “Basicamente é fazer uma reforma política maior, talvez até revolucionária, na Europa, de modo a que as eleições tenham um verdadeiro nível pan-europeu e que genuinamente seja claro do que tratam estas eleições”.

RH/euronews: “A Comissão Europeia vai ter um novo presidente, haverá também um novo Presidente do Conselho Europeu e um novo Presidente do Parlamento Europeu. Depois será escolhido um novo representante para a Política Externa. Todas estas mudanças vão alterar o curso da Europa?”

JT/diretor CE: “Não são só esses os cargos a sofrerem mudanças. Vão mudar todos os membros da Comissão Europeia, bem como os programas políticos, já que novas pessoas terão diferentes prioridades. Os Estados-membros que farão a seleção de seus candidatos para esses cargos têm prioridades específicas na sua agenda política interna. Ou seja, não são apenas mudanças de pessoal já que 2014 criará uma oportunidade de mudar a Europa em muitos aspetos. Desde a política orçamental e económica à política externa, será o momento de repensar e de criar novas políticas. É um processo de renovação completa e temos a esperança de que, no final deste processo – já perto do fim de 2014 -, esteja em funções uma equipa de pessoas de alta qualidade, capazes de criarem algo novo, interessante, que seja visto como um recomeço. Isso é urgentemente necessário, até mesmo como um sinal para os cidadãos de que a Europa mudou o seu curso e de que respondeu à escalada da crise”.