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Europa e EUA entre gelo glaciar e temporais violentos

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Europa e EUA entre gelo glaciar e temporais violentos

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A última semana foi marcada pelos caprichos da natureza nos EUA e na Europa ocidental. Enquanto no continente europeu, as temperaturas têm sido moderadas, os americanos tiveram uma semana de frio intenso. O tempo enlouqueceu um pouco por todo o lado: enquanto nas costas atlânticas da Europa, em Espanha, Portugal e França, o oceano galopou terra adentro, os americanos foram sujeitos a um clima glaciar.

Uma reportagem do canal France 2, mostrou a dimensão dos estragos causados em Biarritz, onde vagas de cinco a seis metros pareciam autênticas paredes de água. Num dos assaltos mais violentos, o mar ameaçou a vida de crianças de uma escola de surf.
Uma testemunha, contou que conseguiu fugir e abrigar-se, enquanto o mar quebrou os vidros e deitou abaixo a porta. “As crianças conseguiram subir, estavam em pânico, feridos, alguns cobertos de sangue, felizmente sem ferimentos graves”, disse.
A ondulação agitada derrubou as muralhas de Biarritz e na frente marítima, viam-se blocos de pedra espalhados pela estrada. Fustigado pelas pela violência do mar, o paredão de granito foi literalmente rebentado e a água galgou dez metros sobre o talude.

Na noite anterior as primeiras vagas invadiram o café do casino, cujos vidros não resistiram à brutalidade das ondas. Foi erguida uma muralha de areia para proteger o casino e após dois dias e meio de ondulação violenta, o oceano finalmente acalmou, mas a preocupação das autoridades é agora o desaparecimento de um sem abrigo.

Portugal esteve igualmente sob o assalto de vagas gigantes, que fizeram estragos significativos no litoral costeiro, apanhando de surpresa os habitantes. Vídeos amadores testemunharam do impacto das ondas, que deixaram um rasto de destruição do norte ao sul do país. Uma reportagem da RTP referiu a preocupação dos especialistas com estes fenómenos meteorológicos que agravam a erosão costeira.
Um quarto da costa portuguesa sofre erosão e 67% está declarada zona de risco e os cientistas têm acompanhado os avanços e recuos do areal costeiro. A responsabilidade é da natureza, mas lembram que o homem tem ajudado muito neste processo de erosão.

Por ocasião da visita à praia de Ovar, na quarta-feira, o ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia, Jorge Moreira da Silva, afirmou que esta questão é prioritária para o governo e que há 300 milhões de euros disponíveis para intervenção no litoral costeiro português. Segundo o responsável da tutela, 20% dos fundos comunitários destinados a Portugal vão ser aplicados na resolução dos problemas de origem climatérica.

Entretanto, do outro lado do Atlântico, foi o frio a impor rigor. Um frio glacial paralisou os Estados Unidos com temperaturas negativas, batendo recordes. Em várias cidades, foi feito apelo aos habitantes para que ficassem em casa.

O canal suíço SRF 1 foi conhecer a situação das pessoas mais atingidas, os sem abrigo. Aqueles que tentam sobreviver em tendas no Garfield Park, em Chicago, e aqueles que se refugiam em caves e locais de apoio aos sem abrigo.

Para a próxima semana, os meteorologistas preveem uma subida de temperatura.
Uma reportagem da TSR, procurou as razões para estes recordes de frio nos Estados Unidos.

Os cientistas entrevistados explicaram que uma corrente que vem do polo norte atravessou uma larga parte do país, um fenómeno raro, mas conhecido dos meteorologistas.
Com o norte dos Estados Unidos sob gelo há vários dias, a vaga glacial avança agora sobre o sul do país. A culpa, segundo estes especialistas, é do turbilhão polar uma cintura de ventos poderosos que circula em redor do polo, uma fronteira que retém o ar no Ártico, muito a norte, durante a maior parte do tempo.

Esta fronteira é relativamente instável, pode ondular e algumas dessas ondulações permitem, por vezes ao ar muito frio descer muito mais a sul, enquanto o ar mais moderado se desloca para norte.

As consequências da instabilidade deste turbilhão são os 38 graus negativos no Estado de Wisconsin, 30 negativos em Mineápolis e 11 negativos no Texas.

Mais de metade dos Estados Unidos foi rapidamente atingida. Para mais, aqui, quando uma frente de frio polar faz caminho para sul, nada a detém. Como explica um meteorologista, “temos a Leste das Montanhas Rochosas um território muito plano, o que permite às massas descer sem encontrar obstáculos. Não existem relevos naturais que as impeçam nesta deslocação para sul e essas massa de ar podem chegar ao Golfo do México ou à Florida”.

Mas desta vez o frio está a bater recordes: nalguns lugares, as temperaturas são as mais baixas dos últimos vinte anos. Uma das hipóteses para explicar isto, é que as regiões polares tenham aquecido sensivelmente nestes últimos anos, e assim alterado a modulação deste turbilhão polar, permitindo ao ar muito frio descer muito para sul, dizem ainda os especialistas.

Ao mesmo tempo, esta violenta descida do ar frio é acompanhada de ventos fortes, que aumentam a sensação de frio. Para a pele humana, 30 graus negativos têm o efeito de 50 e a esta temperatura a pele gela em poucos minutos. Por isso as autoridades pedem aos americanos que fiquem em casa e milhares de escolas permanecem encerradas.