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Morreu o "falcão" que escreveu a história de Israel

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Morreu o "falcão" que escreveu a história de Israel

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Ariel Sharon, que morreu este sábado aos 85 anos depois de oito anos em coma, fica na História como um dos chefes militares e políticos mais hábeis e controversos de Israel.

Nascido a 26 de fevereiro de 1928, Sharon era, juntamente com o presidente Shimon Peres, um dos últimos representantes da geração fundadora de Israel. Conhecido como o “falcão” de Israel, pela astúcia e determinação, deixa como heranças mais recentes o início da construção em 2002 do muro de separação dos territórios na Cisjordânia e, por outro lado, a decisão de retirada unilateral de tropas e colonos da faixa de Gaza, em 2005.

Nos anos 60, foi um dos responsáveis pelo enfraquecimento da resistência palestiniana na faixa de Gaza e, em outubro de 1973, inverteu o curso da guerra, bloqueando o canal do Suez para cercar o exército egípcio.

Participou na fundação do Likud, o partido da direita nacionalista dirigido por Menahem Begin, que subiu ao poder em 1977, altura em que o feroz militar Ariel Sharon se tornou ministro da Agricultura.

Uns anos depois, já como ministro da Defesa, esteve na base da desastrosa invasão do Líbano, em 1982, que tinha por objetivo liquidar a Organização de Libertação da Palestina (OLP).

Depois de algum afastamento da vida política, voltaria na década de 90 do século XX. Em 1999, assumiu a liderança do Likud e foi eleito primeiro-ministro de Israel, em 2001.

Depois da eleição, Sharon encurralou Arafat no seu quartel-general de Ramallah, de onde o então presidente da OLP saiu apenas para ir morrer, em 2004, a França – uma morte que está atualmente em investigação, sob suspeita de assassinato por envenenamento.

Mais tarde, Ariel Sharon recuou na sua oposição à Palestina e acabou por reconhecer, por pragmatismo, a realidade de um estado islâmico e o direito à liberdade e ao território dos palestinianos.

Contestado no seio do Likud, Sharon, então como primeiro-ministro, abandonou o partido e em novembro 2005 fundou um outro, o centrista Kadima, que atualmente é liderado por uma mulher, Tzipi Livni, a também atual ministra da Justiça de Israel e responsável pelo lado de Telavive nas negociações de paz em curso com a Palestina.

Um primeiro AVC em dezembro de 2005 surgiu como um sinal. A 4 de janeiro, um segundo apisódio cardiovascular provocou um derrame cerebral a Ariel Sharon, que entrou em coma. Por decisão dos dois filhos que lhe sobrevivem, Omrid e Gilad, o antigo primeiro-ministro foi mantido vivo com pelos médicos com recurso a máquinas. Oito anos e sete dias depois do segundo AVC, e após vários dias com o coração a contrariar os restantes órgãos vitais e a resistir ao inevitável, Ariel Sharon morreu e deixou Israel de luto.