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Qibya celebra morte do homem que arrasou a aldeia em 1953

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Qibya celebra morte do homem que arrasou a aldeia em 1953

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A vila de Qibya, na Cisjordânia, marca um dos vários episódios tristes na carreira militar de Ariel Sharon. Tristes, claro, do ponto de vista islâmico.

Em outubro de 1953, as Forças de Defesa de Israel (IDF) realizaram em Qibya uma missão sob o nome de código Operação Shoshana. Foi uma retaliação a um ataque sofrido nesse mesmo mês junto à fronteira, no qual morreu uma mulher e os dois filhos, vítimas de uma granada.

À frente da operação Shoshana, estava a então temível Unidade 101, liderada por Ariel Sharon, apoiada por um segundo grupo paramilitar. O ataque israelita arrasou a aldeia, destruindo a mesquita e vários outros edifícios. Morreram 77 pessoas. A comunidade internacional, Estados Unidos incluídos, condenaram o massacre e as Nações Unidas aprovaram em novembro desse mesmo ano de 1953 a Resolução 101, censurando a operação israelita em Qibya.

Hamed Ghetan, um residente da aldeia, sobreviveu ao ataque. “Ouvir o nome de Sharon recorda-me os 77 mártires da minha aldeia. Qibya é um símbolo de infinita brutalidade devido ao assassínio de inocentes, incluindo mulheres, idosos e crianças”, recorda à euronews esta testemunha da sangrenta passagem de Sharon por Qibya.

A terrível fama de Ariel Sharon como militar sem escrúpulos cresceu entre os muçulmanos. A morte dele, registada este sábado, 11 de janeiro de 2014, é por isso celebrada entre alguns árabes. Nomeadamente, na aldeia de Qibya.

“Não nos devemos alegrar com a morte de alguém, mas este é o fim inevitável de todo e qualquer tirano”, refere Hamed Ghetan sobre Ariel Sharon.

Depois da Operação Shoshana, a Unidade 101 viria a ser desmantelada por Israel. Ariel Sharon nunca chegou a ser julgado como responsável pelo ataque. Qibya passou também a ser, para Israel, um exemplo de uma operação militar de aparente êxito, mas que na verdade se revelou um falhanço político e, inclusive, militar.

As marcas da destruição provocadas pela Operação Shoshana mantêm-se, entretanto, 60 anos depois, bem visíveis por toda a aldeia de Qibya. Os nomes das vítimas do ataque também, gravados numa pedra.