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Israel lembra o "bom" Sharon e esquece o "vilão" a caminho da paz

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Israel lembra o "bom" Sharon e esquece o "vilão" a caminho da paz

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Israel despediu-se de Ariel Sharon num funeral com honras de Estado. A comunidade internacional e o governo de Israel foram unânimes em realçar os méritos do ex-primeiro-ministro e ignorar as ações mais polémicas do general.

Desde Telavive, o enviado especial da euronews, Luis Carballo, revelou-nos que sentimento sobre Sharon predomina entre os israelitas.

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Como é que é vista nas ruas de Telavive a aparente tentativa de se reescrever a história? Estão os isrealitas dispostos a olhar o futuro esquecendo o passado?
Luis Carballo, enviado especial a Israel
Não creio que se possa falar de uma tentativa de reescrever a História, mas, sim, é verdade que todas as críticas dirigidas a Sharon estão a esfumar-se. Uma boa forma de resumir o estado atual das coisas, contudo, é o que escreveu aqui um dos jornais de Israel, dizendo que se a vida de Ariel Sharon fosse resumida num filme o título seria “O Bom, o Mau e o Vilão.”

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Sharon deixa um legado concreto, que nos dias de hoje pode ver-se nos territórios palestinianos: o Muro da Segurança. O defensor do grande Estado de Israel mandou construir o que parece perfilar-se como a fronteira entre Israel e o futuro Estado da Palestina. Até que ponto isto se confirma no terreno? E até que ponto isto pode ser aceite por ambas as partes?
Luis Carballo, enviado especial a Israel
É aceite, politicamente, que nas atuais negociações ou nas que se vão seguir, se estas não derem os frutos esperados, o traçado do muro, que se ajusta à chamada linha verde, poderá vir a ser utilizado para delimitar as futuras fronteiras do Estado de Israel em relação à Palestina. Para os palestinianos, o muro, até agora, serviu apenas para os israelitas anexarem cerca de 10 por cento do território da Cisjordânia para lá dessa chamada linha verde.

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A derradeira tentativa para se chegar a um acordo de paz entre Israel e a Palestina começou em julho, em Washington. As negociações mantiveram-se em segredo desde então, mas, poucos dias antes da morte de Sharon, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel disse ser tempo de se chegar ao acordo de paz. Existe mesmo esse sentimento de que o acordo é possível, de que o momento está próximo?
Luis Carballho, enviado especial a Israel
Os sinais que existem, dado o secretismo nas conversações, parecem mostrar que desta vez é que poderá mesmo ser. Transpirou muito pouco para o exterior o que se passou nessas negociações. O que está claro é que ambas as partes receberam um ultimato da diplomacia norte-americana. O prazo desse ultimato acaba a 29 de abril. Mas, é como digo, as pessoas aqui revelam um otimismo muito moderado.