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Porta-voz de Israel: Sharon era o únido que podia unir o povo de Israel nas mais difíceis questões

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Porta-voz de Israel: Sharon era o únido que podia unir o povo de Israel nas mais difíceis questões

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Raanán Gissin foi um dos mais próximos assessores de Ariel Sharon durante o mandato de primeiro-ministro de Israel. Nos últimos anos, converteu-se numa das principais vozes do Estado israelita no mundo. Iniciou a carreira em 1979, como analista de estratégia nas Forças Armadas israelitas.

Luis Carballo, entrevistou-o, em exclusivo, para a euronews – Qual foi a mais difícil decisão de Ariel Sharon?

Raanan Gissin – Na minha opinião, o mais difícil foi remover os colonatos de Gaza, da Judeia e da Samaria. Para ele, Israel ergeu-se dos colonatos judeus. No futuro, Israel será um Estado judeu para todos os judeus do mundo, e os colonatos são um importante elemento dessa construção. Foi ele quem concebeu a construção dos colonatos durante 20 anos.

euronews – Qual foi a ação de que mais se orgulhava?

Raanan Gissin – As realizações de que mais se orgulhava, em Israel foram a agricultura, a terra, ter conseguido construir mais colonatos judeus, ter recebido mais imigrantes judeus de todo o mundo e ter estabelecido um Estado forte.
Penso que também se orgulhava do Exército, um dos mais fortes do mundo. Tinha muito orgulho em tudo o que fez e ajudou Israel a conseguir.
Recordava a experiência de 1948, quando ia morrendo na batalha de Latrun: as pessoas tentavam salvar os elementos do batalhão, levá-los para lugar seguro, arrastá-los. Ele própria estava ferido, mas arrastou os seus soldados, levou-os para a enfermaria.

euronews – Depois da retirada de Gaza, foi ele que impôs a mesma medida na Cisjordânia? Havia planos para o desmantelamento dos colonatos?

Raanan Gissin – Penso que não há dúvidas de que terá considerado o assunto. Ele queria mudar as coisas, e esse era um elemento-chave para criar um Estado judeu forte ao lado de um Estado Palestiniano. De um ponto de vista tático, ele tê-lo-ia feito. Não sei se teria chegado a um acordo de paz com os palestinianos, como dese jamos, mas era algo presente no seu espírito, a união das pessoas. É importante ter em conta que Israel é um Estado dividido, com muitas diferenças. Ele era o únido que podia federar o povo de Israel nas mais difíceis questões.

euronews – Alguma vez Sharon expressou arrependimento sobre os massacres de Sabra e Shatila, no Líbano?

Raanan Gissin – Sabra e Shatila constituiram um erro, um acidente que se produziu no Líbano. Mas o modo geral de eliminar terroristas do Líbano para garantir a segurança de Israel, como ele fez, manteve-se. penso que lamentou o sucedido em Sabra e Shatila, mas só soubemos, mais tarde, o que se passou e onde, no Líbano. Ele assumiu uma parte da responsabilidade do que se passou, e pagámos por isso. DEcorreu um processo em Israel, foi nomeada uma comissão de inquérito. Ele nunca virou as costas às responsabilidades. Disse que tinha tomado todas as decisões que pensava serem corretas para Israel, a seu tempo, e aceitava inteiramente as consequências dessas decisões, porque tudo o que fez, foi pelo bem de Israel.