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Sharon: Israel despede-se do guerreiro-estadista

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Sharon: Israel despede-se do guerreiro-estadista

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Ficou conhecido como Sharon, o Guerreiro, Sharon o Falcão, mas o militar que não usava uniforme publicamente, e tanto queria obrar pela paz, ironia das ironias, ficou a meio do caminho quando levava, para a política, a ousadia e o ímpeto que tinha no campo de batalha. “Desconseguiu a paz”, dirão os africanos lusófonos. Distanciou, ainda mais, Israel do futuro Estado palestiniano.

A cerimónia decorreu no largo do Knesset, mas a urna foi levada numa viatura do exército. E o primeiro-ministro Netanyahu, aproveitou a ocasião para fazer política:

“Arik compreendeu que, em matérias como a própria existência e segurança, devemos manter-nos firmes. Mantemos estes princípios. Israel continuará a lutar contra o terrorismo e a trabalhar em prol da paz, sem descurar a segurança. Israel vai continuar a impedir, por todos os meios, que o Irão aceda ao armamento nuclear.”

Como primeiro-ministro, Sharon ordenou a retirada da Faixa de Gaza e recorreu à força para acabar com os colonatos judaicos que havia na região, o que lhe rendeu o ódio dos judeus ortodoxos. Gaza acabou por cair nas mãos dos terroristas do Hamas.

Joe Biden, vice-presidente dos Estados Unidos, admitiu haver problemas de popularidade:

“Algumas das suas ações valeram-lhe grandes controvérsias e mesmo a condenação. Do meu ponto de vista, ele era um homem complexo, e é assim que é melhor compreendê-lo. A história vai julgá-lo. Não esqueçamos que viveu numa época complexa e num ambiente mais complexo ainda”.

A nível interno, também foi ele alterou o antigo equilíbrio entre a direita (Likud) e a esquerda (dos trabalhistas) com a criação do Kadima.

A urna, sem acompanhamento nem aparato passou e parou em Latrun, para receber as honras militares, onde Ariel Sharon foi ferido e travou uma das mais duras batalhas da sua vida.
No fundo, a pior guerra de Sharon foi a que acaba de perder: oito anos no limbo para um homem de ação.