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Arte "perturbadora" exposta em Sydney, Potsdam e Londres

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Arte "perturbadora" exposta em Sydney, Potsdam e Londres

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Esta instalação do artista francês Christian Boltanski, em Sydney, na Austrália, fala sobre a vida, a morte e o acaso.

A máquina funciona como uma rotativa, onde são impressos os jornais, só que esta debita em permanência fotos de recém nascidos. De oito em oito minutos, uma foto ao acaso é projetada no ecrã. No fim, conta-se o número de pessoas que nasceram e que morreram durante o tempo que passou: “Um dia pensei que, se sou o que sou, é porque os meus pais fizeram amor naquele momento preciso. Se o tivessem feito uns segundos depois, eu seria diferente. Se calhar, seria uma rapariga, mas de qualquer forma, seria completamente diferente”, diz o artista.

As fotos de 600 recém-nascidos vêm de anúncios tirados de um jornal polaco, um exemplo de fusão entre a arte contemporânea e a vida do dia-a-dia.

Com 20 toneladas e 50 metros de comprimento, esta instalação pode ser vista na galeria Carriageworks, em Sydney, até ao fim de março.

Em Potsdam, na Alemanha, o parlamento estadual de Brandeburgo tem uma exposição que está a criar polémica, com 100 retratos de personalidades históricas, incluindo Estaline, Kadhafi, Fidel Castro, mas também a de um ator alemão interpretando Adolf Hitler.

Pode um retrato de Hitler ser exposto num edifício público alemão? “Temos que aceitar. Percebo as objeções e a celeuma causada, mas temos que aceitar isto, como parte da liberdade da arte”, diz Matthias Platzteck, ministro-presidente da região de Brandeburgo.

O artista, Lutz Friedel, sempre se sentiu fascinado pela história. Para ele, tudo não passa disso: “Ao lado de Hitler, estão também os terroristas da Fação do Exército Vermelho, temos também o poeta Heinrich von Kleist, que se suicidou porque não suportava a sociedade do tempo em que viveu. Não sou professor nem tenho todas as respostas, apenas ponho as questões que sempre pus a mim próprio. Quero ser um gatilho do diálogo”.

O parlamento decidiu que Hitler se mantinha na exposição, mas foram impressos mais folhetos de informação, para evitar mal-entendidos com o público.

Na galeria Whitechapel, em Londres, podemos agora ver cerca de 120 colagens da artista alemã Hannah Höch, membro do movimento dada de Berlim, nos anos 20.

Um movimento que nasceu depois da primeira guerra mundial, como um protesto contra a violência, e cuja principal regra é não haver regras. O movimento, que viria a inspirar os surrealistas, atravessou várias formas de criação, da pintura à poesia.

Explica o comissário da exposição, Daniel Herrmann: “Estamos contentes por poder organizar, pela primeira vez, uma exposição da famosa e rebelde artista dada Hannah Höch. Foi pioneira nas colagens, na arte de cortar pedaços de papel para formar algo a partir dos destroços, de tudo o que nos dá a sociedade dos mass media”.

As colagens de Höch exploram o conceito de “mulher nova” que apareceu na Alemanha no seguimento da primeira guerra.

Durante a era nazi, a arte dada foi considerada degenerada e foi proibida. A exposição pode ser vista na faleria Whitechapel até ao fim de março.