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Irão acata restrições nucleares impostas em Genebra

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Irão acata restrições nucleares impostas em Genebra

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Foi um passo medido, mas ambicioso, aquele que as seis grandes potências e o Irão deram em novembro, em Genebra. Um passo para pôr fim a dez anos de braço de ferro por causa do programa nuclear de Teerão.

A medida-chave do acordo, a suspensão da produção de urânio enriquecido a 20%, entrou em vigor esta segunda-feira e foi confirmada pela Agência Internacional de Energia Atómica.

O acordo prevê também que o Irão comece a transformar o seu stock de urânio já enriquecido a 20% e mantenha ao nível atual as atividades em Natanz, Fordo e Arak.

Em troca, as seis potências vão levantar, durante seis meses, parte das sanções equivalentes a mais de cinco mil milhões de euros. Isso inclui, nomeadamente, o levantamento das restrições sobre as exportações petroquímicas, de ouro e de metais preciosos.

No entanto, o essencial das sanções vai ser mantido e vai privar o Irão de 22 mil milhões de euros de receitas provenientes do petróleo durante seis meses e a maior parte dos bens iranianos no estrangeiro (cerca de 74 mil milhões de euros) vão permanecer congelados.

Para um levantamento total das sanções, Teerão deve aceitar as restrições mais relevantes das suas atividades nucleares. As potências ocidentais querem uma redução drástica do número de centrifugadoras para três mil ou quatro mil, contra as 19 mil atuais, e a paragem definitiva da central de Fordo, entre outras.

O levantamento parcial das sanções poderá melhorar a vida dos iranianos. A economia degradou-se com as sanções, empurrando a
inflação para 40% e o desemprego para mais de 20%.

OK Irão: Conversa com o analista político Reza Taghizadeh

Nima Ghadakpour, Euronews – No primeiro dia de implementação do acordo provisório entre o Irão e os 5+1, o Irão tomou um série de medidas incluindo a suspenção do enriquecimento de urânio a 20%.
Isso é visto como um passo importante para a criação de confiança entre o Irão e a comunidade internacional.
Estas medidas serão uma garantia prática para terminar com o desafio nuclear iraniano?

Connosco está o analista político iraniano Reza Taghizadeh.
As últimas informações dizem que a União Europeia também suspendeu algumas das sanções impostas ao Irão.
Como vê isso?

Reza Taghizadeh – Existem compromissos assumidos pela União Europeia e pelos Estados Unidos no que concerne às iniciativas voluntárias do Irão.
Com a suspenção voluntária do enriquecimento de urânio a 20% nos complexos de Fordow e Narantz e outros compromissos aceites pelo Irão, incluindo a suspenção do reator de Arak, a União Europeia também se comprometeu na reciprocidade. Daí o abrandamento das sanções ter sido aprovado numa cerimónia em Bruxelas.

É um pequeno passo da União Europeia, mas para o Irão é um passo enorme e um afastamento da fase que poderia tranformar militarmente o Irão numa potência nuclear. Isso é um passo muito importante para a região.

N.G. – O início da implementação do acordo é um início prometedor tanto técnica como politicamente?

R.T. – Sem dúvida. Parace que ambas as partes estão voluntariamente a dar passos na direção certa.
Foi dado um pequeno passo mas os resultados podem ser importantes para a paz na região e para o desarmamento nuclear no resto do mundo.

N.G. – Falou de paz na região. Na sua opinião quais são os desafios a vencer para concluir o acordo e continuar com as conversações?

R.T. – O Governo do Irão é uma pequena parte do regime da República Islâmica. As alas mais duras da República, particularmente os militares, e as alas radicais do parlamento, não concordam com o acordo. Estão convictas de que o acordo vai sucumbir a meio do processo.

Na região, a Arábia Saudita e também Israel são contra o avanço das negociações até à fase final. Usarão o seu poder, principalment em relação às decisões dos Estados Unidos.

No Congresso dos Estados Unidos existem mais opositores do que os que concordaram com o acordo provisório.

Estes dois fatores, ao nivel interno e internacional, revelar-se-ão como impeditivos durante as negociações.
Contudo, parece que tanto Obama como Rouhani têm apoio suficiente nos respetivos países. Poderão avançar para a segunda e derradeira fase e alterar a situação na região de uma crise nuclear para maior estabilidade política.