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"A UE deve intensificar as negociações de adesão da Turquia", diz analista

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"A UE deve intensificar as negociações de adesão da Turquia", diz analista

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Para analisar em maior profundidade o impacto da visita do primeiro-ministro da Turquia às instituições europeias, esta terça-feira, a correspondente da euronews em Bruxelas, Audrey Tilve, (AT/euronews) entrevistou o analista do centro de estudos Carnegie Europa, Marc Pierini, (MP/analista).

AT/euronews: “Connosco está Marc Pierini, que foi embaixador da União Europeia (UE) na Turquia durante cinco anos. O regime turco atravessa uma crise muito séria. Ameaçado por escândalos de corrupção. O primeiro-ministro fez purgas na polícia, na magistratura e nos serviços públicos, incluindo na televisão. Visto da UE, é uma deriva autoritária. Mas será que a UE tem poder para influenciar o curso dos acontecimentos na Turquia?”

MP/analista: “Quando alguém transfere dois mil polícias e vários magistrados, quando muda leis e regulamentos ao nível da investigação sobre crimes financeiros e acesso à internet; tudo isto é quase uma admissão de culpa. Infelizmente, essas medidas representam um recuo do Estado de direito, algo que incomoda as instituições de Bruxelas e os governos da UE. A única via para a UE é intensificar as negociações de adesão da Turquia. Se não houver pressão política, não serão feitas as reformas necessárias, simplesmente porque são difíceis. É preciso fortalecer esses laços, desde que o regime turco assim o deseje”.

AT/euronews: “Mas ainda há muitos países que não concebem a ideia da Turquia se tornar um estado-membro, deixando andar as negociações, que quase não avançaram nos últimos anos, mas podendo vetar a adesão no final desse processo”.

MP/analista: “Certamente, qualquer um dos estados-membros pode inviabilizar o processo, porque são essas as regras do jogo. Regras aceites pela Turquia, que não gosta é que se mude de opinião a cada seis meses. Mas creio que, do ponto de vista europeu, o problema não é a entrada da Turquia, mas o tipo de democracia que existe no país. A Turquia tem agora 75 milhões de habitantes, que serão 85 milhões dentro de dez anos. Uma Turquia democrática e estável é do interesse europeu, ao contrário de uma Turquia que tem uma crise a cada seis meses”.