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Stieg Larsson detonou o "Nordic Noir" nas livrarias mundiais


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Stieg Larsson detonou o "Nordic Noir" nas livrarias mundiais

Os livros policiais nórdicos, os apelidados “Nordic Noir”, são cada vez mais procurados. Em especial no Reino Unido, onde visitámos algumas livrarias e o pudemos constatar. A ficção policial com cenários nos países nórdicos é a que vende mais dentro do género e isso já valeu bancas especiais dedicada somente à literatura criminal escandinava.

O autor Barry Forshaw escreveu o livro “Nordic Noir” (Pockets Essentials, 2013), onde fala sobre estes escritores vindos do Norte. Diz ele que tudo começou com a trilogia “Millenium”, iniciada em 2005 com “Os homens que Odeiam as Mulheres”, a primeira parte das aventuras de pirata informática Lisbeth Salander.

“Stieg Larsson, na minha opinião, foi a explosão. Foi a máquina que pôs isto tudo a acontecer. Percebi que havia um grande número de escritores criminologistas suecos, dinamarqueses e noruegueses. Estavam lentamente a conseguir ser traduzidos e os britânicos estavam esfomeados, queriam saber quem eram os bons. Leram Henning Mankell e gostaram de “Kurt Wallander”. O que se pode ler depois de “Wallander”? As pessoas precisavam de um guia”, afirma Barry Forshaw, como que a justificar o que subtitulou como “o guia de bolso essencial para os livros, séries de televisão e filmes escandinavos sobre crime.”

São cada vez mais os policiais nórdicos nas prateleiras das livrarias. Anunciado para 2015 pela editora portuguesa LeYa, por exemplo, está já a edição do quarto volume da até agora trilogia “Millenium”. A morte do autor original Stieg Larsson, em 2004, aos 50 anos e sem ter conhecido a fama mundial, não travou os editores. A sueca Norstedts confirmou a sequela e anunciou como autor do quarto volume David Lagervrantz, conhecido pela biografia de 2011 “I am Zlatan”, do futebolista Ibrahimovoc, e que se tornou n livro mais rápido vendeu na Suécia.

Só em Portugal, a trilogia “Millenium” vendeu quase 160 mil exemplares. Em todo o mundo, ultrapassou os 75 milhões e, para além de 3 versões cinematográficas em sueco, já têm uma versão transformada em “blockbuster” pela indústria do cinema americano.

Mas qual terá sido o segredo que agarrou os leitores britânicos aos policiais nórdicos? “O clima frio”, responde-nos de pronto Barry Forshaw, acrescentando: “Ambos os países têm climas frios. Houve outras coisas – talvez também uma certa semelhança política na forma de pensar. Os italianos e os países mediterrânicos parecem seguir um tipo de vida diferente. Não era de todo a nossa vida e gostámos da diferença que a ficção sueca nos oferecia. Mas também das parecenças.”

Há alguns anos, a literatura sueca era exclusiva de alguns leitores mais atentos. Entretanto, a fama explodiu e tornou-se moda. Numa das livrarias londrinas da cadeia Waterstone, Joseph Knobbs explica-nos que a literatura policial escandinava “cresceu praticamente do zero para se tornar na líder de vendas entre a ficção criminal”. E quanto vale atualmente os livros de “Nordic Noir”? “Não posso dar números concretos, mas é muito”, concretiza Knobbs.

Barry Forshaw confessa, por fim, que a pergunta que mais lhe é colocada atualmente é: “O que se vai seguir ao ‘Nordic Noir’, qual vai ser a próxima moda?”. “A minha resposta é: mais ‘Nordic noir’. Há ainda muitos autores escandinavos muito bons à espera de serem traduzidos e conhecidos”, garante o escritor britânico.

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