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Ucrânia: Fim da contestação ou início de guerrilha urbana?

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Ucrânia: Fim da contestação ou início de guerrilha urbana?

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Depois de dois meses de protestos em Kiev, a polícia de choque prepara o assalto final para dispersar os manifestantes.

euronews em direto

Durante toda a manhã os militares têm estado a limpar a zona dos protestos, um perímetro de 200 metros em torno de edifícios governamentais onde nos últimos dias foram queimados autocarros e erguidas barricadas com pneus em chamas.

Esta operação militar surge ao abrigo do pacote legislativo aprovado no fim de semana para pôr fim ao movimento de contestação que exige a demissão do presidente Viktor Ianukovich.

A intervenção das forças anti-motim começou na noite de terça-feira e esta madrugada o balanço era dramático, fala-se de vários mortos, pelo menos dois foram confirmados.

As duas vítimas mortais foram atingidas por balas no momento e que protestavam na zona central da cidade, perto do Parlamento, onde têm decorrido os confrontos.

O Ministério Público confirmou que os dois manifestantes, de sexo masculino foram mortos por bala.

A polícia nega até ao momento que tenha feito uso de armas de fogo. Especula-se sobre a existência de franco atiradores pró-governamentais que terão a missão de criar o caos.
Só desde domingo, pelo menos duas centenas de pessoas ficaram feridas.

Comunidade Internacional preocupada com a violência

O secretário-geral da NATO, Anders Forgh Rasmussen, sublinhou hoje a sua “extrema preocupação” face à informação de que haverá vários mortos.

A União Europeia diz também que poderá tomar medidas contra a Ucrânia, após o relato das mortes dos dois manifestantes.

A Alta Representante para a Política Externa da União Europeia (UE), Catherine Ashton, fez um comunicado em que “condena veementemente a escalada de violência”.

Também a embaixada dos Estados Unidos em Kiev suspendeu os vistos de vários “ucranianos” em resposta às medidas tomadas contra os manifestantes.

Esta manhã, o presidente ucraniano, Viktor Ianukovich, comprometeu-se a receber os três principais líderes da oposição ainda esta quarta-feira para conversações sobre a crise. No entanto, esta é a segunda vez que são anunciadas negociações entre o governo e a oposição.

Vitali Klitschko, um dos líderes opositores, tentou ontem ser recebido pelo chefe de Estado mas este recusou alegando que estava “ocupado”.

A vizinha Rússia denunciou uma situação que “escapa a qualquer controle desde domingo”.

O parlamento aprovou no último fim de semana um pacote legislativo para impedir as manifestações.

Os textos, votados apenas pelos deputados do partido do governo, preconizam multas pesadas e penas de prisão – que podem ir até aos 15 anos, a quem organizar e participar em manifestações.

Outro aspeto destas leis é, tal como na Rússia, obrigarem ao registo das organizações não governamentais – ONG’s – , considerando-as “agentes estrangeiros” se tiverem financiamentos vindos de outros países.

Principais acontecimentos desde o início dos protestos

- 21 de novembro: O presidente ucraniano suspendeu repentinamente as negociações sobre um acordo de associação com a UE e decide aproximar-se da Rússia, o que desencadeia uma cólera sem precedentes junto da população pró-europeia.

- 24 de novembro: Dezenas de milhares de pessoas manifestam-se na Praça da Independência, conhecida como o Maidan, o símbolo da revolução laranja. As reações da oposição fizeram sentir-se em várias cidades da Ucrânia.

- 30 de novembro: Tentativa de dispersão violenta. A carga da polícia de choque provocou várias dezenas de feridos, incluíndo muitos estudantes.
A oposição exige a demissão do chefe de Estado e eleições antecipadas.

- 01 de dezembro: Uma multidão de 200.000 a 500.000 manifestantes ocupam a praça Maidan e montam tendas e barricadas.
Numa tentativa de assalto ao Parlamento 300 pessoas ficaram feridas em confrontos com as forças de segurança em frente à sede da administração presidencial.

- 8 dezembro: A organização de um mega comício traz centenas de milhares de pessoas a Kiev, um grupo de oponentes nacionalistas derruba uma estátua de Lenine no centro da cidade.

- 11 de dezembro: A enviada dos EUA, Victoria Nuland, e a chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, vão a Kiev. No momento da visita a polícia lançou um ataque à Praça Maidan para tentar desalojar os ocupantes mas o assalto foi bloqueado pelo afluxo de manifestantes e a operação abortou.

- 25 de dezembro: A jornalista da oposição do online “Ukrainska Pravda”, Tetiana Chornovil, conhecida pelos artigos críticos sobre Yanukovych, é brutalmente espancada por desconhecidos.

-10 de janeiro: O ex-ministro do Interior ucraniano e uma das atuais figuras da oposição, Yury Lutsenko, foi espancado pela polícia durante os confrontos e hospitalizado.

Cerca de 50.000 pessoas manifestaram-se contra este acontecimento dois dias depois do ataque.

- 19 dezembro: Cerca de 200.000 pessoas reuniram-se na Praça da Independência, dois dias depois da adoção de novas leis que sancionam os manifestantes.